Ana Cristina Guerreiro, delegada regional de Saúde do Algarve, afirmou que no Algarve existem «duas cadeias de transmissão» do novo Coronavírus (COVID-19). Ainda assim, autoridades não têm «a sensação que o vírus circule na comunidade».Em breve será montado um Centro de Rastreio, no Parque das Cidades, entre Faro e Loulé.
Pela primeira vez desde que começaram a surgir casos positivos do novo Coronavírus na região do Algarve, Ana Cristina Guerreiro, delegada regional de saúde, falou aos jornalistas em conferência de imprensa, na tarde de hoje, sexta-feira, dia 20 de janeiro.
«A partir de hoje vamos colocar, na nossa página institucional, um quadro com informação o mais detalhada possível, por município, que consideramos um instrumento de resposta aos responsáveis de entidades regionais, e para conhecimento da população em geral. Esta é uma forma de tranquilizar as pessoas», revelou a delegada.
Até à data, o Algarve tem confirmados 29 casos, 150 que testaram negativo, 14 a aguardar análise laboratorial, um óbito e 15 doentes internados, sendo que quatro se encontram em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), mas sem risco de vida. «Não temos nenhum infetado recuperado porque os nossos doentes começaram a surgir por volta do dia 8 de março e ainda não tiveram tempo suficiente», explicou.

Quanto à primeira morte na região, confirmada horas antes da conferência, Guerreiro detalhou: «A pessoa que morreu estava internada no Hospital de Faro, mas não estava na UCI, estava numa zona criada para o efeito. Chegou bastante mal e esteve sempre numa situação complicada. Trata-se de um português, de 77 anos, residente no concelho de Albufeira e que tinha uma situação clínica complexa, graves problemas de saúde e que com esta situação, desequilibrou».
Questionada sobre como poderá ter contraído o vírus, a delegada apenas disse não ter presente a informação.
Sobre as cadeias de transmissão, e apesar de ainda decorrerem estudos e de as pessoas ainda estarem a ser agrupadas por cadeias, há dois «clusters essenciais. O da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, em Portimão e a dos migrantes na Escola Básica do 2º e 3º Ciclo Santo António, em Faro. Aqui no Algarve temos muitos casos de pessoas que importaram o vírus em viagens. Nos nossos casos confirmados temos procurado e quase todos eles têm ligação conhecida. Ainda decorrem estudos, mas não temos a sensação que o vírus circule na comunidade e isso é importante», assegurou Guerreiro.
Ainda na opinião da delegada de saúde, as medidas a serem tomadas trazem-lhe confiança. «As pessoas estão a responder da melhor maneira possível e nota-se uma diferença grande nas ruas e em todos os estabelecimentos. Os supermercados estão a ser criteriosos. Da informação que tenho, penso que as coisas estão a correr de acordo com as medidas propostas».
Apesar de as fronteiras estarem fechadas e do Aeroporto de Faro ter reduzido os voos, uma estratégia que Guerreiro refere que «reduzirá muito o risco na região», está ainda a ser montada uma tenda, perto do Estádio Algarve, que terá como uma das funções servir de Centro de Rastreio no Algarve.
Questionada sobre o aparecimento de dois novos casos positivos para COVID-19, um no concelho de Tavira e outro no de Albufeira, a delegada de saúde não quis detalhar.
«Em Tavira é uma senhora e em Albufeira não sei o género. Também não tenho informação da nacionalidade de ambos, mas em meios tão pequenos não interessa as idades porque facilmente se fica a saber quem são e as pessoas têm direito à privacidade».
Por fim, a responsável revelou ainda que os testes no Centro Hospitalar Universitário do Algarve – Hospital de Faro, estiveram várias vezes, «à beira de acabar». Isto porque «os alemães e os franceses adquiriram imenso material, o que dificulta muito as entidades portuguesas. A gestão tem sido feita assim, mas nunca parámos por falta de material».