Depois de cancelamentos noutros países, Kanye West enfrenta novo pedido para travar atuação marcada para o Algarve, a 7 de agosto.
O Congresso Judaico Europeu (CJE) apelou ao cancelamento do concerto de Kanye West, atualmente conhecido como Ye, marcado para 7 de agosto no Estádio Algarve, em Loulé, alegando preocupações relacionadas com declarações antissemitas e outras controvérsias associadas ao artista norte-americano.
Num comunicado divulgado no seu sítio oficial, na terça-feira, dia 2 de junho, o CJE afirmou juntar-se à Comunidade Judaica de Lisboa para manifestar «profunda preocupação» com a realização do espetáculo em Portugal.
«Apelamos às autoridades competentes, às entidades públicas e aos organizadores para que cancelem este evento e tomem todas as medidas adequadas para garantir que o antissemitismo, a glorificação do nazismo e o ódio não sejam recompensados com plataformas públicas, legitimidade ou apoio», refere a organização.
Kanye West, que adotou oficialmente o nome Ye em 2021, encontra-se atualmente em digressão internacional após o lançamento do álbum «Bully», editado em março.
Segundo o CJE, vários espetáculos do artista já foram cancelados ou adiados em países como Polónia, França, Reino Unido, Suíça e Itália.
O músico foi também impedido de entrar no Reino Unido no início de abril, na sequência de declarações consideradas antissemitas, situação que contribuiu para o cancelamento da sua participação no Festival Wireless.
O Congresso Judaico Europeu defende que Portugal deve seguir o exemplo de entidades públicas e organizadores que optaram por cancelar ou afastar-se de eventos associados ao artista.
Para a organização, permitir a realização do concerto «numa altura em que o antissemitismo está a aumentar em toda a Europa» e poucos dias após um ato de vandalismo antissemita na Sinagoga de Lisboa transmite «uma mensagem profundamente preocupante».
Em sentido contrário, as autoridades locais de Arnhem, nos Países Baixos, autorizaram recentemente um concerto de Ye, argumentando que a legislação neerlandesa limita a possibilidade de impedir eventos com base apenas na desaprovação das posições públicas de um artista.
O presidente da câmara de Arnhem, Ahmed Marcouch, reconheceu que a decisão poderia gerar controvérsia, mas afirmou que os autarcas não podem tomar decisões «baseando-se apenas na desaprovação pessoal ou social» das opiniões do músico.
Ye iniciou a carreira discográfica com o álbum «The College Dropout», em 2004, alcançando reconhecimento internacional com trabalhos como «Late Registration» (2005), «Graduation» (2007) e «My Beautiful Dark Twisted Fantasy» (2010), distinguido com um Grammy para Melhor Álbum Rap.
Ao longo da carreira recebeu vários prémios Grammy, incluindo distinções por temas como «All of the Lights», «Good Life» e «Ni**as in Paris».
Nos últimos anos, porém, a atividade musical tem sido frequentemente ofuscada por polémicas relacionadas com declarações públicas e publicações nas redes sociais.
Entre as controvérsias mais mediatizadas estão mensagens antissemitas, comentários sobre a escravatura e críticas às vacinas contra a covid-19.
Em janeiro deste ano, Ye publicou um anúncio no Wall Street Journal no qual pediu desculpa por comportamentos passados e afirmou que o diagnóstico de doença bipolar contribuiu para uma perda de contacto com a realidade.
No texto, o músico revelou estar atualmente a seguir medicação, terapia, exercício físico e mudanças de estilo de vida, afirmando querer concentrar-se em projetos artísticos e criativos com impacto positivo.