A Cerveja Vicentina tem três variedades para diferentes gostos e ambientes, com sabores suaves e refrescantes.
Além dos excelentes vinhos produzidos que já se produzem na região, há também cervejas artesanais a fazer jus ao que o país tem de melhor e também neste nicho, o Algarve não é exceção. Em Lagos, produz-se a Cerveja Vicentina, fruto da paixão de Catarina de Lencastre pela costa algarvia e pelo fabrico desta bebida.
Apesar de ter nascido no Porto e crescido nos Alpes da Alta Provença, em França, Catarina tem uma ligação forte, desde muito nova, à agricultura e consumo de alimentos saudáveis e de qualidade. Ao longo da sua infância passava tempo na horta dos pais e aprendeu a colher plantas selvagens, como o tomilho e a lavanda.
«Sempre gostei de tudo o que vem da terra. As plantas e a natureza são para mim uma fonte de inspiração constante», salientou ao enaltecer Lagos e o Algarve, onde agora reside.
A ideia de criar uma marca de cerveja surgiu em 2018, altura em que a proprietária, formada em Direito na Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica, trabalhava num restaurante, experiência que a fez reconhecer a «importância de promover o verdadeiro sabor dos produtos», desenvolver o seu interesse por vinhos e cervejas e concluir que adoraria dedicar o seu tempo a um negócio próprio nesta área.
Nesse mesmo ano, conheceu o cervejeiro belga Olivier Vincent e o artista da mesma nacionalidade Elzo Durt, ambos fundamentais no desenvolvimento deste projeto. A vontade de criar uma bebida autêntica em conjunto com o conhecimento de Olivier Vincent, vencedor da 2.ª Taça BJCP Portugal/estilo English Brown Ale em 2017, título que integra o Concurso Nacional de Cervejas Caseiras e Artesanais, levaram à concretização do sonho.
A sua primeira experiência de produção de cerveja foi com Olivier Vincent, responsável pela criação das diversas receitas da Cerveja Vicentina.
Catarina ajudou o cervejeiro belga na produção em cervejarias artesanais e, até hoje, segue as suas receitas e utiliza o design criado por Elzo Durt, que «fez uma verdadeira obra de arte para cada uma das cervejas, inspirado pelo farol de São Vicente e pelo mar» algarvio.
«O meu intuito é comercializar uma bebida boa e saborosa, fiel à sua essência», destacou ao acrescentar que a sua maior preocupação é produzir uma cerveja «genuína e de qualidade capaz de surpreender quem a prova pela experiência sensorial que proporciona».
Para agradar a gostos distintos e servir ambientes diversos, a Cerveja Vicentina disponibiliza três variedades, uma seleção desenvolvida pelo Olivier Vincent ao longo de dois anos.
«Este trabalho tem como resultado uma gama de cervejas equilibradas, com sabores suaves e refrescantes, adequados ao clima português e respeitando a tradição cervejeira belga,» explicou a proprietária ao revelar que, de momento, está a ser desenvolvida uma nova cerveja exclusiva para um resort no conselho lacobrigense.
A Golden Ale é a cerveja mais leve, ideal para quem não está familiarizado com a cultura da cerveja artesanal e perfeita tanto para um momento de diversão e convívio como de lazer num ambiente mais relaxado.
A IPA (India pale ale) é a mais conhecida, destacando-se pela frescura do lúpulo, uma planta que confere um sabor amargo e floral à bebida. Como tal, é particularmente destinada a apreciadores de cerveja artesanal.
Por fim, a Brown Ale tem um teor mais leve, um sabor tostado e doce, ideal para acompanhar doces algarvios confeccionados à base de amêndoas, figos, alfarroba e laranja.
A Cerveja Vicentina é feita a partir de cereais importados da Bélgica e da Alemanha, de forma a conseguir o caráter único e, ao mesmo tempo, assegurar a sustentabilidade do projeto. Mas, mais importante, alia o conhecimento da cultura ancestral belga e a tradição cervejeira portuguesa assim como o amor à Costa Vicentina e o desejo de criar uma bebida com uma relação umbilical a esta zona única.
No entanto, o sonho não termina aqui. Participar em eventos locais está também nos planos para que seja possível promover o contacto direto com os clientes e produzir a partir de ingredientes mais locais.
Atualmente, Catarina produz na cervejaria Mania, uma colaboração que garante «a qualidade que caracteriza a Cerveja Vicentina», assegura, revelando que tem como objetivo abrir a própria cervejaria em Vila do Bispo de forma a aumentar a produção para dar resposta à procura crescente e a capacidade de armazenamento.
Aliás, a ambição é que não seja apenas um local de produção, mas também um lugar de encontro e troca de ideias entre pessoas que partilhem os mesmos valores. A marca está em constante desenvolvimento e disposta a colaborar com entusiastas interessados em «unir energias, promover produtos locais de qualidade e encontros onde se proporcione a troca de valores, culturas e sabores», conclui.
O projeto ainda está numa fase inicial e a produção é limitada, mas é possível encontrá-la à venda no Maxim’s Warung (Vale da Telha) Pont a pé (Aljezur) Agua Salgada/Fermento/A Sagres (Sagres), Ribeira do poço (Vila do Bispo), Lourenço (Salema), Pizzeria d’aldeia (Budens), Martinhal Resort e Bahari Beach Bar (Martinhal/Sagres), Empanadas e CO, 2 Irmãos, Beats and Burritos (Lagos) e Kaffe onda (Barão de São Miguel).
Fotos: Charlotte Cockayne/ Open Media Group
