CDS-PP Algarve avalia dois anos da AD e pede mais execução e soluções concretas para a região, apontando falhas na saúde e mobilidade.
Rodrigo Borges de Freitas, presidente distrital do CDS-PP Algarve, fez um balanço dos dois anos de governação da Aliança Democrática (AD), destacando avanços, mas defendendo um maior compromisso com a região, segundo comunicado divulgado hoje pela estrutura partidária.
No documento enviado à redação do barlavento, o dirigente afirmou que o país entrou num «tempo de maturidade governativa», com menos ruído e maior foco na execução.
Entre os resultados apontados, referiu a redução do IRS, com mais de dois mil milhões de euros devolvidos às famílias, o aumento de salários e pensões, a valorização de mais de 350 mil trabalhadores da Administração Pública e o lançamento de um programa de habitação pública.
Ainda assim, o responsável considerou que o Algarve continua a enfrentar problemas estruturais e apontou a região como exemplo de promessas adiadas. Na área da saúde, saudou o lançamento do concurso para o Hospital Central do Algarve, que classificou como «uma inflexão histórica» face a anteriores governações, acrescentando: «foi este Governo que decidiu, tem de ser este Governo a concretizar».
No mesmo tema, deixou um aviso: «a obra tem de ser concluída e até lá a saúde deve continuar a ser uma prioridade na região».
Quanto à mobilidade, Rodrigo Borges de Freitas classificou o atraso como «estrutural e limitador», defendendo o reforço da ferrovia, a ligação do aeroporto de Faro à cidade e a criação de uma estação intermodal. «Mobilidade não é luxo, é uma questão de equidade», afirmou.
O dirigente reconheceu também avanços como o início das obras de requalificação da Via do Infante (A22) e o compromisso de reforço da segurança hídrica, embora tenha manifestado reservas quanto à localização prevista para a dessalinizadora, referindo a importância ambiental e económica da Praia da Falésia.
«A água jamais poderá ser um problema para o Algarve, portanto cumpra-se e execute-se. Estaremos cá todos para avaliar», afirmou.
No comunicado, defendeu ainda que «pior do que uma má decisão ou alteração de localização, é sempre uma não decisão» e sublinhou que «os grandes projetos nacionais não podem depender de ciclos políticos curtos».
Entre os problemas identificados na região, destacou a degradação de espaços públicos, a poluição visual, a falta de investimento na agricultura e pescas, a desorganização das bermas de estradas como a N2 e a EN125, a proliferação de contentores habitacionais, a insuficiência de saneamento básico e a necessidade de valorizar frentes ribeirinhas e portuárias.
«Afinal, somos todos Algarve», afirmou.
A concluir, citou Francisco Lucas Pires, recordando que «a liberdade só é verdadeira quando é vivida com responsabilidade», acrescentando a necessidade de reforçar a responsabilidade política e institucional.
«Não há futuro quando o presente é negligenciado e que sem qualidade territorial não existirá investimento sustentável, nem turismo qualificado, nem coesão social», afirmou ainda, defendendo um esforço contínuo de requalificação e modernização da mobilidade e do espaço público regional.
O comunicado termina com um apelo: «é, portanto, o momento de cumprir com o Algarve».