O cavalheiro, de seu nome Henrique Granadeiro, ex-presidente da PT, ouvido na comissão de inquérito ao designado caso BES/GES, terá, depois de ter começado por evocar a sua qualidade de republicano e católico, lamentado que «os problemas do GES, em vez de terem sido discutidos nos fóruns devidos e no recato próprio dos banqueiros, houvessem sido tratados como se estivessem a ser discutidos por um bando de ciganos».
A imprensa que relatou tais fatos (ver-se edição online do Expresso do dia da audição) não fez constar, contudo, se algum dos ilustres representantes da nação integrante da comissão que o ouvia lhe terá perguntado, entretanto, para complementar a apreensão da sua estatura moral, se, à semelhança do que em tempos foi feito com os judeus, pugnaria pela expulsão dos ciganos do país, de forma a não poderem servir de «mau» exemplo aos dignos e polidos banqueiros da nossa praça, dando, assim, origem a casos como o do BES/GES.
Relatou, apenas, que no final do depoimento por parte do dito cavalheiro, membros de todos os partidos integrantes da comissão em causa, à exceção de um, BE, cuja deputada se terá ausentado antes, o foram cumprimentar, não se ficando a saber, também, se por simpatia e admiração ou simples cortesia e receio de virem a ser comparados a ciganos.
*Advogado