Catarina Martins responsabiliza o primeiro-ministro pelas falhas no SNS e critica a estratégia do governo após mortes associadas a atrasos no socorro.
A candidata presidencial Catarina Martins considerou o primeiro-ministro Luís Montenegro o «principal responsável» pelos problemas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), defendendo que a situação já não se limita à tutela da Saúde.
Em declarações aos jornalistas no início de uma visita aos Bombeiros Voluntários da Moita, a candidata afirmou que a atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, «nunca devia ter sido ministra», mas sublinhou que a responsabilização é agora do governo no seu conjunto.
«Estamos numa situação de calamidade na Saúde em que já não podemos dizer que foi um erro da ministra. É mesmo um problema global do governo, do qual o primeiro-ministro é o principal responsável», afirmou.
Catarina Martins sublinhou a necessidade de travar o executivo, depois de terem sido noticiadas mais mortes após pedidos de socorro ao INEM sem resposta atempada.
Questionada sobre se a ministra da Saúde tem condições para se manter no cargo, respondeu que a questão já não é individual, mas estratégica. «Não é uma questão de a ministra ter condições, que seguramente não tem. É uma questão da estratégia do governo, que tem de ser travada», afirmou.
A candidata recordou que já tinha acusado o executivo de degradar deliberadamente o SNS e reiterou que não acredita que a sucessão de casos se deva apenas a incompetência.
«Há duas hipóteses: ou o governo é absolutamente incompetente ou quer destruir o SNS para entregar tudo ao negócio privado da doença», disse, acrescentando que acredita existir uma estratégia política deliberada.
Sobre outros candidatos presidenciais, questionou se Luís Marques Mendes ou João Cotrim Figueiredo poderão garantir independência face ao governo.
Defendeu a necessidade de um Presidente da República que convoque todos os intervenientes para garantir o acesso à saúde e prometeu que, se eleita, tudo fará para «travar a destruição deliberada do SNS».
Entre as medidas admitidas estão o veto a diplomas que impliquem cortes na Saúde e a convocação para Belém de profissionais de saúde e bombeiros. Catarina Martins criticou ainda o silêncio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Durante a visita, destacou também o papel dos bombeiros voluntários, sublinhando que estão a assumir tarefas que não lhes competem. «Se alguma coisa correr mal, não é culpa dos bombeiros», afirmou, atribuindo o risco existente às opções do governo.
Recorde-se que, pelo menos três pessoas morreram esta semana depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo, uma delas em Tavira.
Foto: Catarina Martins.