Edifício é a mais recente obra de referência do atelier do arquiteto algarvio Vítor Vilhena e já tem notoriedade internacional.
Na vila de São Bartolomeu de Messines, concelho de Silves, já todos ouviram falar da moderna habitação que, de repente, colocou a localidade na boca do mundo.
No entanto, a verdade é que, cercada por vales e montanhas, a Casa de Messines foi pensada para ser discreta a olhares alheios e integrada, de forma orgânica, na natureza envolvente.
A moradia térrea com 300 metros quadrados de área está inserida numa propriedade de três hectares, com vista sobre uma extensa área protegida e reserva ecológica, e dois reservatórios de água: a barragem do Funcho e a barragem do Arade.
«O projeto sempre esteve bem definido na minha cabeça desde o primeiro dia em que a vi», explica ao «barlavento» o arquiteto lacobrigense que o desenhou, Vítor Vilhena.

A moradia foi erguida sobre uma edificação já existente, em ruínas, e onde se privilegiou os antigos grandes vãos, que se abrem por completo, permitindo assim a entrada de iluminação e ventilação naturais.
«O facto de já existir uma construção prévia foi a única razão pela qual pudemos desenvolver a residência neste local tão pitoresco. Tentámos respeitar as referências da construção pré-existente e a sua arquitetura tradicional, mas conferindo-lhe uma abordagem mais contemporânea», explica.
«É uma casa apaixonante que resulta de um gosto profundo pela arquitetura. Mais do que tempo e dinheiro, houve liberdade e criatividade para desenhar esta casa. Ela reflete o bom entendimento e a minha relação com o cliente, e já é uma obra de referência do nosso atelier. Um projeto com um espaço e envolvência únicos e cujo enquadramento é, na minha opinião, perfeito», diz Vilhena.

Não é por isso de estranhar que a originalidade da habitação tenha chamado a atenção de conceituadas marcas internacionais, como a multinacional Cartier ou a fabricante de automóveis de luxo Jaguar, as quais solicitaram autorização para rodar filmagens para os seus produtos no local.
Recentemente, também o canal de televisão inglês ITV escolheu dedicar à Casa de Messines um dos episódios da série Secret Homes, que dá a conhecer algumas das casas mais surpreendentes no Reino Unido e no mundo.
«Cerca de 50 por cento da casa estava inserida dentro do terreno, isto é, como se a casa saísse da terra. Uma particularidade muito interessante inerente à habitação que quis manter», revela o arquiteto. Apesar da nova abordagem arquitetónica, «a ideia sempre foi tentar manter a antiga estrutura e imagem».
Outra especificidade da habitação é a grande dimensão da área social que privilegia a fluidez e harmonia entre a sala de estar, jantar e cozinha.
Existe ainda uma zona de apoio à cozinha, um corredor com acesso à cobertura, e três suites com uma linha de armários ocultos, lavandaria, área de estacionamento exterior, um terraço com piscina suspensa na cobertura da moradia e ainda uma área concebida para os cães da propriedade, com chão radiante.

Ainda que a perspetiva de qualquer um dos ângulos da casa seja «excecional», a vista panorâmica de 360 graus, a partir da piscina suspensa, é de tirar o fôlego.
Para chegar à porta de entrada da habitação, é necessário passar por debaixo da piscina, à qual só se pode aceder através do interior da casa.
Para a original cobertura da moradia, Vítor Vilhena escolheu um material típico da região: a tradicional tijoleira de Santa Catarina, produzida à mão, e que, «embora rústica, casa perfeitamente com a contemporaneidade da habitação».
Na opinião do arquiteto, o «típico tradicional e o moderno contemporâneo podem coexistir de forma harmoniosa».
A sala de estar, com cem metros quadrados, merece destaque pela grande capacidade de captação de luz a nascente e pela vista panorâmica sobre a serra.
«Depois de abertas, todas as janelas ficam completamente inseridas dentro da parede», o que cria a ilusão de não existir qualquer divisão entre o espaço interior e o exterior. «É como se a sala de estar estivesse inserida na natureza, com uma abertura completa e sem obstáculos para a vista, nem elementos perturbantes», descreve o arquiteto. «Um todo num único espaço», permitindo assim uma «maior fluidez».
Há 20 anos a projetar sonhos
Vítor Vilhena, 47 anos, é formado em Arquitetura pela Universidade Lusíada de Lisboa, e o seu portefólio conta com centenas de trabalhos com a sua assinatura. Atualmente, possui 25 projetos em curso.
Dedica-se sobretudo ao desenvolvimento de edifícios de habitação e moradias unifamiliares, mas também já executou outros projetos, como aldeamentos turísticos, hotéis, escolas e hospitais privados na zona do Algarve.
«Antes de terminar a universidade já trabalhava. Estudava à noite e trabalhava de dia. Pelo caminho fui colaborando com diversos outros arquitetos», recorda. Mas o ano de 1999 foi decisivo e marcante para o arquiteto.
«Casei-me, fui pai, despedi-me do meu emprego e fundei o meu próprio atelier em Odiáxere, Lagos. Queria gerir o meu espaço, traçar o meu estilo e trilhar o meu próprio caminho», diz.

Recentemente, em março de 2019, transferiu o seu atelier para a Marina de Lagos, onde coordena uma equipa de nove pessoas.
Define o estilo da sua arquitetura como contemporâneo, embora privilegie sempre o uso de materiais tradicionais.
De acordo com o arquiteto, a maior preocupação prende-se sempre com «a forma e a função», mas o objetivo primordial é desenvolver uma «arquitetura contemporânea e funcional, e que respeite simultaneamente a tradição e o ambiente».
Fotografias: Fernando Guerra
Vídeo: João Guimarães