Três irmãos uniram-se para abrir a Casa das Palmeiras, um projeto de Alojamento Local em Paderne, Albufeira, em pleno barrocal algarvio.
Num local rodeado pela natureza e longe do bulício do litoral, a Casa das Palmeiras está na mesma família há pelo menos quatro gerações. Na década de 1950, aquela mesma casa albergou uma pequena escola de costura, onde a avó de Pedro, Marta e Gonçalo Campos ensinava as raparigas da zona a costurar.
A mãe dos três irmãos ainda se lembra de ver a sala com as alunas a trabalhar nas suas máquinas, sob o olhar atento de Júlia. «Resolvemos dar uma nova vida à casa onde passei boa parte da minha infância, principalmente nas férias de verão», explica Gonçalo, o mais novo do trio, «até porque o local continua a ter uma magia própria que gostávamos que outras pessoas sentissem».
Apesar de ali já não existirem palmeiras, o nome manteve-se fiel ao desejo do avô Carlos, que assim a batizou, antes de uma praga de escaravelhos ter dizimado muitas das que existiam no Algarve.
«Enquanto o meu avô construía a casa, lembro-me de o ajudar a fazer betão e de fazer de todas as alfarrobeiras ao redor, uma casa na árvore», recorda. Uma das alfarrobeiras da propriedade é centenária e ainda lá está, junto à casa. O enorme pinheiro que dá sombra ao espaço relvado do jardim foi plantado por Gonçalo e pelo avô, há 25 anos.
A irmã Marta acrescenta que se lembra «de comer figos, sentada na velha figueira da casa, ainda antes de o irmão Gonçalo nascer». Mas as melhores memórias dos três irmãos são as que foram vividas à mesa, em serões de consoada, almoços de família, e outras quadras festivas.
Mais tarde, já na década de 1990, o avô, que foi mestre de obras muitos anos em França, decidiu ampliar e renovar a Casa das Palmeiras. Durante a obra, fez questão de manter a traça original: as cantarias em pedra, as platibandas e a chaminé algarvia.
Nessa altura, enquanto os trabalhos decorriam, os avós viviam na garagem, que servia de sala, cozinha e quarto, ao lado da qual ainda subsiste o forno de lenha onde a avó Júlia cozia o pão. Ainda pode ser usado, por quem o souber fazer.
«A nossa avó era a melhor cozinheira que já conheci. Nunca esquecerei a sua tarde de limão, que era presença obrigatória todos os Natais, e o seu queijo de figo, cujos frutos eram apanhados no pomar, secados ao sol e triturados à mão», tal como as amêndoas usadas na receita desta iguaria.
Além de toda a história, Gonçalo Campos explica o projeto. «A casa tem uma localização única, apesar de estar num local bastante tranquilo, fica próxima da animação de Albufeira ou de Vilamoura, e a meio caminho do Barlavento, onde estão algumas das melhores praias da Europa. Está rodeada pela natureza. Oferece privacidade para umas férias em família. É ainda possível fazer caminhadas ao redor», até porque os trilhos da Via Algarviana passam ali muito próximo.
Não foi difícil a adaptação a Alojamento Local, porque a moradia «tem muito espaço exterior e interior, muita luz natural, e uma piscina de água salgada. Tem quatro quartos, sala com lareira junto à cozinha, e uma vista incrível para o Castelo de Paderne».
Por fim, Gonçalo Campos explica que com este projeto familiar pretende contribuir para o desenvolvimento desta zona interior do Algarve, e também para ajudar a atenuar a sazonalidade. A Casa das Palmeiras vai estar aberta a reservas já a partir de junho.

