O acesso à água foi a principal preocupação manifestada hoje pelos agricultores algarvios, durante um conselho consultivo regional promovido pela direção da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), disse o presidente desta associação socioprofissional.
No final do conselho regional realizado em Algoz, no concelho de Silves, Álvaro Mendonça e Moura fez um balanço do encontro e disse à agência Lusa que é necessário encontrar soluções para garantir que os agricultores do Algarve têm acesso à água, para poderem desenvolver a atividade na região e crescer.
«A primeira e enorme preocupação, central, recorrente, a questão da água», afirmou, defendendo a «necessidade de andar para a frente com as barragens do Alportel e da Foupana» e de «pensar naquilo que é preciso construir para garantir água no conjunto do barlavento», sub-região algarvia mais afetada pela escassez de água provocada pela seca que afeta o Sul do país.
O presidente da CAP reconheceu haver no sector «alguma esperança» no plano «Água que nos Une», estratégia nacional para gestão da água que está a ser preparada pelo governo, mas disse esperar que o executivo «seja ambicioso» e consiga «traçar um plano para o país», com planos para os próximos anos e uma calendarização das intervenções a executar.
Álvaro Mendonça e Moura salientou que a produção agrícola no Algarve é «muito interessante» em várias áreas e deu o exemplo da vinicultura, que é «muito reputada» e demonstra o «potencial» da região para o sector.
Outra das preocupações manifestadas no conselho consultivo do Algarve foi a necessidade de «dar atenção à parte florestal», assinalou o presidente da CAP, considerando que «não se pode olhar para a floresta apenas quando arde».
Álvaro Mendonça e Moura frisou que o pastoreio pode contribuir para reduzir o risco de incêndios e da aplicação de fitofármacos nos campos, mas, para isso acontecer, é preciso «retomar a questão do fogo controlado», porque «sem fazer algum fogo controlado em certas áreas, não é possível fazer aí um pastoreio».
O dirigente da confederação agrícola defendeu também a necessidade de olhar para a agricultura de uma forma positiva e de aproveitar as potencialidades para desenvolver o sector numa região onde, apesar dos constrangimentos de água, a atividade tem vindo a crescer.
«Temos de ser mais positivos, temos que exportar mais, temos que diminuir o deficit da nossa balança alimentar. Portanto, o objetivo tem de ser crescer. Agora, crescer sustentadamente, crescer com respeito pelo ambiente. Mas crescer, este é o objetivo, tem de ser o objetivo do país», considerou.
Para isso, o presidente da CAP advoga pela necessidade de «passar da ideia para a apresentação dos projetos» e avançar com a «calendarização» de projetos como a barragens das ribeiras de Alportel e Foupana e o estudo de soluções para o Barlavento (oeste), onde a escassez de água é mais grave.
Foto: Bruno Filipe Pires