Um balcão de denúncia para imigrantes e refugiados abre hoje na internet, destinado a relatos de problemas e abusos de modo a dar visibilidade às situações mais graves.
«Sentimos a necessidade deste projeto há algum tempo, porque temos contacto com algumas situações, algumas ocorrências junto da população migrante e refugiada em Portugal, que depois não encontram respostas a nível de das estruturas», afirmou à Lusa Raul Manarte, do coletivo Humans Before Borders (HuBB), que integra o projeto.
O objetivo do projeto, que inclui ainda grupos de migrantes e refugiados e alunas da Escola Superior de Educação do Porto, é por isso «aumentar a visibilidade social» dos problemas junto da população e da comunicação social, acrescentou.
Cada «refugiado pode deixar a sua a sua denúncia, o seu relato do que aconteceu» e o «principal objetivo é compilar esta informação e processá-la de uma forma assertiva para poder ser acessível» a quem tiver interesse.
Os dados quantitativos «serão públicos» e as informações serão anónimas, mas os relatos individuais são serão disponibilizados caso a caso às autoridades ou a quem mostre legitimidade para os pedir.
O endereço do portal (balcaodenuncia.pt) será divulgado nas páginas das redes sociais das associações que organizam o projeto e o formulário estará acessível em português, inglês, árabe, farsi, hindu, urdu, ucraniano e nepalês.
O projeto, sustentam os promotores, «pretende ultrapassar barreiras de acessibilidade e coletar, compilar e divulgar ocorrências de abuso, maus tratos, negligência ou inconformidades gerais através de denúncias online».
O balcão quer «compilar as denúncias recebidas e transformá-las em dados públicos» através das redes sociais e da colaboração com os órgãos de comunicação social, para permitir «à sociedade civil ter uma visão mais precisa das dificuldades que a população migrante e refugiada experiencia em Portugal».
Além disso, estes dados «poderão ser utilizados em campanhas de ação cívica, pressionando estruturas ou decisores para passos concretos que permitam diminuir ou erradicar as ocorrências verificadas», referem os promotores.
No Algarve, o caso dos nepaleses agredidos por um grupo de jovens de Olhão, em fevereiro de 2023, colocou esta problemática na ribalta mediática e levou até o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa a pedir desculpa por tais atos, tal como o barlavento noticiou.
Foto: Bruno Filipe Pires