Ouro e prata para o azeite algarvio Monterosa em Nova Iorque confirmam a subida no ranking mundial e um destaque entre os melhores produtores internacionais.
Dois azeites Monterosa, produzidos em Moncarapacho, conquistaram medalhas de ouro e prata na edição de 2026 do NYIOOC World Olive Oil Competition, em Nova Iorque, considerado um dos mais prestigiados concursos internacionais de azeite virgem extra, que já soma 14 edições.
O Monterosa Cerro de São Miguel, classificado como frutado intenso, recebeu a medalha de ouro, enquanto o Monterosa Maçanilha, de perfil frutado médio, conquistou a medalha de prata, segundo os resultados divulgados no guia oficial da competição, na terça-feira, dia 7 de abril.
O produtor algarvio ocupa agora o 4.º lugar em Portugal e o 18.º a nível mundial, entre mais de 1000 azeites virgem extra avaliados, oriundos de todo o mundo, de acordo com o ranking internacional da Olive Oil Times.
Ao todo, a Monterosa soma agora 29 prémios, dos quais 17 medalhas de ouro e 12 de prata, num percurso consistente de distinções em concursos internacionais ao longo de mais de 12 anos consecutivos.
Os resultados começaram a ser divulgados em fevereiro, mais cedo do que nas edições anteriores, para dar aos produtores premiados mais tempo para aproveitar o reconhecimento durante a época comercial.
Até aqui, Portugal ocupava o 6.º lugar entre os países mais premiados, com 10 distinções anunciadas, segundo dados divulgados a 16 de março.
A marca algarvia posiciona-se no segmento premium artesanal. Na propriedade, com cerca de 20 hectares de olival, em Moncarapacho, no concelho de Olhão, as azeitonas são colhidas manualmente com recurso a pente e seguem de imediato para moagem, para melhor preservarem a frescura, num processo que determina a qualidade dos azeites ali produzidos.
Os métodos de produção seguem referências antigas: o espaçamento entre as árvores — cinco por sete metros — baseia-se nas recomendações do De Agri Cultura, manual de agricultura do senador romano Marco Catão, para que as oliveiras não compitam pela água, numa abordagem muito bem adaptada ao clima do Sotavento algarvio.
Aliás, a sustentabilidade é outro eixo da estratégia dos viveiros Monterosa. Para proteger as oliveiras da mosca da azeitona, a empresa utiliza caulino misturado em água, uma argila natural que dispensa o uso de pesticidas.
O projeto afirma-se na Horta do Félix, onde a empresa mantém o olival, o lagar e a atividade de visitação ligada ao setor. Em complemento, o olivoturismo surgiu a partir da procura espontânea de visitantes, levando à criação de visitas guiadas e provas de azeite, que chegaram a atrair cerca de 5000 visitantes por ano.
A história da empresa remonta a 1969, quando Detlev von Rosen se instalou no Algarve para produzir hortícolas para os mercados do Norte da Europa. Em 1972, a atividade passou a centrar-se nas plantas ornamentais, origem dos Viveiros Monterosa.
A aposta no azeite surgiu no final dos anos 1990, em resposta a uma seca prolongada que afetou a produção de citrinos. A empresa optou por culturas mais resistentes ao clima, como a oliveira. O desenvolvimento do projeto contou com o apoio do especialista José Gouveia, do Instituto Superior de Agronomia, e em 2009 a participação num concurso internacional resultou na primeira medalha de prata.
Atualmente, os Viveiros Monterosa são geridos por Eduardo Martins e José Dâmaso, que mantêm o foco na qualidade, no respeito pelo ambiente e na Produção Integrada em todas as fases do processo.
Os premiados nesta competição passam a integrar o Guia Oficial dos Melhores Azeites do Mundo, o que garante visibilidade internacional junto de importadores e distribuidores nos mercados americano, asiático e europeu.
Os resultados completos podem ser consultados aqui.