As Comédias do Minho, em coprodução com a mala voadora, apresentam no dia 1 de fevereiro, no Centro Cultural de Lagos, às 21h30, uma nova adaptação de «As Aves», uma das obras mais emblemáticas de Aristófanes.
Apesar de ter conquistado o segundo lugar na competição dionisíaca de 414 aC, «As Aves» é considerada a obra-prima de Aristófanes.
Após a digressão pelo Vale do Minho no final de 2014, esta versão contemporânea, com texto e encenação de Jorge Andrade, da mala voadora, apresenta-se em Lagos «numa abordagem que traz ao palco uma reflexão sobre poder, persuasão e liberdade, convidando o público a embarcar numa viagem visual e sonora, que funde teatro, dança e música».
Uma narrativa intemporal de poder e ambição
Segundo a produção, «o tom é de comédia, mas o tema central é sério e muito atual». Na peça «As Aves», Aristófanes «transporta-nos para uma fábula política que, apesar de datada da Grécia Antiga, mantém sua relevância nos dias de hoje, trazendo ao palco uma reflexão crítica sobre a sociedade».
A história «segue dois homens, que abandonam Atenas em busca de uma vida melhor. Acreditam que um homem, transformado em ave e capaz de voar e observar o mundo de cima, poderá guiá-los. Um desses homens é Pistetero. Ao descobrir a forma como as aves vivem, Pistetero decide que quer partilhar esse estilo de vida e, com a sua impressionante capacidade de persuasão, convence-as a fundar uma cidade onde se preserve a harmonia da vida das aves. As aves, inicialmente desconfiadas dos humanos, acabam por sucumbir à sua retórica, a ponto de o reverenciarem como um deus. Capaz de encantar as multidões, Pistetero instala-se como líder absoluto».
Esta adaptação de «As Aves» traz ao palco «uma história povoada por pássaros, humanos e deuses de mármore, onde as palavras, quando bem ditas, soam como melodias que encantam e seduzem».
A partir do texto daquele que é considerado o maior representante da comédia antiga, a peça, que conta com interpretação de Cecília Matos Manuel, Cheila Pereira, David Pereira Bastos, Luís Filipe Silva, Maria Jorge, Pedro Moldão, Sara Costa e Tiago Barbosa, questiona assim o poder das palavras mostrando como a persuasão pode moldar a realidade e transformar uma utopia num regime de controlo. Pistetero torna-se o símbolo de como a retórica pode elevar, mas também subjugar.
Teatro, dança e música numa fusão única
Esta adaptação de «As Aves» aposta «numa forte componente musical e visual. O tradicional coro síncrono é reinventado, proporcionando uma nova musicalidade às palavras de Aristófanes, enquanto a coreografia, delicadamente desenhada, transforma o palco num espaço onde o voo das aves se confunde com o gesto humano, questionando as fronteiras entre o natural e o artificial».
Os figurinos, assinados por José Capela, «são uma extensão da própria metamorfose cénica, simbolizando a fusão entre o humano e o não-humano. Cada peça de vestuário é uma obra viva, traduzindo o imaginário das aves em movimento. O cenário, pensado como um espaço de utopia, transporta a cidade imaginária de Aristófanes para o presente, questionando as ambições e os excessos da sociedade contemporânea», conclui a produção do espetáculo, em nota enviada às redações.
«As Aves» é uma coprodução entre as Comédias do Minho, a mala voadora, o Centro Cultural de Belém e o Centro Cultural de Lagos.
Sobre as Comédias do Minho
Fundadas em 2003, as Comédias do Minho são uma associação cultural de direito privado que reúne os municípios de Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Valença e Vila Nova de Cerveira, constituindo o seu território de ação. Com uma missão centrada na criação de um projeto cultural adaptado à realidade socioeconómica local, as Comédias do Minho investem em propostas artísticas e pedagógicas de valor participativo e simbólico, envolvendo ativamente as comunidades. Esta missão concretiza-se através de três eixos interligados: uma companhia de teatro profissional, um projeto pedagógico e um projeto comunitário.
As Comédias do Minho tem Parceria Institucional com a República Portuguesa – Cultura e a mala voadora é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura /Direção-Geral das Artes.
