A galeria ArtCatto, com sede em Loulé e o Conrad Algarve inauguram na quinta-feira, 11 de fevereiro, às 19h30, nas instalações deste hotel na Quinta do Lago, uma exposição conjunta da escultora britânica Sophie Dickens e da pintora holandesa Alisa Lim A Po.
Com mais de 25 anos de experiência enquanto artista, exposições por toda a Europa, clientes espalhados pelo mundo e galardoada com o Prémio de Escultura da V&A 2007, Sophie Dickens tem verdadeiro pedigree de escultora. Mas é a sua fascinação pela anatomia e a sua atenção ao pormenor que a destacam da multidão de artistas contemporâneos.
Enquanto escultora, Sophie interessa-se pelas formas humanas e animais, e aprecia o movimento que uma escultura pode criar.
«Gosto da forma humana enquanto meio de expressão. Tive a sorte de experimentar desenho da forma humana na escola e apercebi-me que, para compreender realmente a aparência externa da figura humana, um artista tem de perceber a estrutura que está por baixo e as suas capacidades», explica a artista, que reside em Londres.
Tetraneta do escritor Charles Dickens, Sophie começou a desenhar e a pintar desde tenra idade, e queria frequentar uma escola de arte. Em vez disso, acabou por estudar História da Arte no Instituto Courtauld.
«Acabou por ser uma experiência muito formativa para a minha prática artística, pois ajudou-me a criar um vocabulário visual sobre o qual desenho com frequência».
Sophie Dickens fez até um curso de anatomia para entender melhor como é que o corpo humano funciona, e que lhe permitiu estudar cadáveres de perto.
Influenciada por artistas como Cézanne e Egon Schiele, e pelas esculturas e desenhos de Rodin e Henri Gaudier-Brzeska, a inspiração de Sophie chega-lhe muitas vezes por simples conversas com amigos e mecenas, ou quando trabalha numa peça que lhe foi encomendada. Expõe o seu trabalho numa galeria dedicada a retratos animais há dez anos.
«Por isso, há um forte tema animal, que inclui cães, pelicanos, touros, cavalos e cabras», disse. As suas criações parecem estar a saltar para fora dos seus pedestais, transmitindo movimento e emoção.
O processo criativo da escultora começa com pequenos estudos feitos através da modelagem de cera numa armadura de arame.
«Tal dá-me flexibilidade para que possa mudar de ideias e continuar a alterar a composição», diz.
Auxiliada por um estudo meticuloso de anatomia, Sophie constrói armaduras ao soldar canas de metal como se tratassem de desenhos de um esqueleto, por cima do qual começa a juntar e a criar camadas compostas por pedaços de madeira que já foram trabalhados e cortados numa serra de fita, herdada do negócio de mobiliário da sua mãe. Isto cria um desenho tridimensional em que as falhas são preenchidas para criar um todo cheio. O resultado são peças extraordinariamente dinâmicas, que ganham vida perante os nossos olhos.
O trabalho de Sophie evolui com a sua criatividade. «Com as esculturas mais antigas, inventei as minhas próprias mitologias. Depois, comecei a entrar mais nos temas históricos da arte, mas estou agora a regressar novamente às minhas mitologias com uma série de peças que representam a linguagem corporal de um homem e de uma mulher, baseadas na minha relação com o meu marido, que está fora em tournée».
A exposição de Sophie no Conrad Algarve engloba algumas das suas peças mais notáveis, incluindo esculturas de três grandes pelicanos, cinco grandes macacos de uma instalação em Londres, uma sequência de mergulho de cinco peças em tamanho real e um cavalo gigante.
Alisa Lim A Po – entre o figurativo e o abstrato
Emoções, comportamento humano e problemas globais. Estas são algumas das fontes de inspiração favoritas da artista holandesa Alisa Lim A Po, que se refletem no seu trabalho. Grandes e coloridas cabeças clonadas e esferas emotivas juntam-se nas mãos habilidosas da artista num estilo que ela descreve como que «a pairar entre o figurativo e o abstrato».
Alisa sabia que queria ser artista desde muito jovem. «Quando tinha 18 anos, iniciei os meus estudos na academia de arte mais pequena dos Países Baixos», conta.
Apercebendo-se de que não era a altura ou local certos, acabou por estudar e trabalhar em publicidade e design durante muitos anos, até que finalmente se dedicou por completo à sua verdadeira vocação: a arte.
Como muitos artistas, Alisa tem pais com grandes interesses culturais. «Tinha também um avô que era colecionador de uma grande variedade de arte, desde velhos mestres holandeses a artistas contemporâneos russos. Graças a esta base, reconheço o génio na maioria das formas de arte, dos impressionistas aos modernistas. Adoro grandes artistas como Monet, Rothko, Gauguin, Klimt e, como não podia deixar de ser, Van Gogh».
«Encontro inspiração na minha vida», explica Alisa. «Reflito estas experiências de comportamento social universal. Os meus quadros abordam assuntos como a honestidade, a solidariedade, a confiança e o amor. Mas também aspetos negativos da vida, como a tristeza, a solidão, a violência e o medo».
O seu trabalho é facilmente distinguível devido à paleta de cor única e às técnicas que utiliza. Quando lhe pedimos para o definir, diz que pode ser figurativo, «mas não expressa pormenores e está no limite da abstração. No geral, caracterizo o meu trabalho como realista com limites. São mostrados elementos da realidade num grau de maior ou menor distinção».
Alisa utiliza materiais tradicionais, como o papel e telas, mas trabalha principalmente em metais, como o alumínio e o cobre.
«Estudo os materiais e uso as suas características, porque determinam parcialmente o trabalho. Trabalhar com estes materiais dá-me liberdade e inspiração, e as suas superfícies suaves criam a qualidade táctil desejada para criar uma patina, ao passo que a tinta pode remover-se ou raspar-se».
O trabalho da artista evolui no sentido da abstração. «Sempre brinquei com a pureza que existe em mostrar a realidade. Até na minha primeira série de retratos realistas femininos tinha elementos de abstração. Noto que tenho cada vez mais interesse em trazer a abstração para o meu trabalho. É uma forma de nos separarmos do que sabemos e força-nos a ver as coisas de uma forma diferente e nova», sublinha.
Depois do sucesso da pré-visualização de duas das suas criações este verão, a ArtCatto vai agora receber a estreia da sua nova série, Chronicles, uma coleção bonita, arrojada e colorida, mas que também se concentra em temas mais sombrios, como o aquecimento global, a migração, a poluição e a religião. Alisa vai também incluir peças únicas da sua série Social War, que se baseia no amor, bem como várias outras peças da sua popular coleção Clones. A exposição no Conrad Algarve até à Páscoa.