Projeto AquaVAN do S2AQUAcoLAB vai apoiar a aquacultura do Sotavento, com atuação direta no terreno de laboratório móvel financiado pelo MAR2030.
O S2AQUAcoLAB vai colocar no terreno o AQUAVan, um laboratório móvel financiado pelo MAR2030 que pretende alterar a forma como é prestado apoio técnico à aquacultura no Sotavento algarvio.
O projeto representa um investimento de cerca de 170 mil euros, com 70% de cofinanciamento europeu através do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura (FEAMPA), e tem conclusão prevista para dezembro de 2026.
«O AQUAVan é um projeto que pretende apoiar as produções, tanto na área de assistência técnica como de formações para as empresas», afirma Renata Gonçalves, investigadora responsável pela candidatura.
A iniciativa responde a uma lacuna identificada pelo CoLAB e proposta ao Grupo de Ação Local (GAL) Pesca Sotavento, segundo Pedro Pousão, presidente do laboratório colaborativo sediado em Olhão.
O objetivo é aproximar os investigadores dos locais onde surjam problemas na produção e encurtar o tempo de resposta. «A maioria do material que nos chega é impróprio para análise. E mesmo quando há mortalidade, se a recolha de amostras é mal feita, está contaminada, ou não segue os pressupostos, muitas vezes não se consegue tirar conclusão alguma. É difícil pedir às pessoas que sigam os protocolos porque não têm os meios», explica.
Por isso, «é importante que a recolha seja feita in loco e que haja meios de conservação adequados: seja um frigorífico ou um contentor de azoto». E acrescenta: «Há situações em que as coisas têm que ser abertas no local para verificação, por exemplo, de patologias», daí a importância da viatura laboratorial.
Renata Gonçalves adianta que o projeto começará com uma fase de auscultação, durante a qual «vamos fazer o levantamento das necessidades do setor». Isso permitirá «equipar a carrinha como um laboratório móvel» ajustado às necessidades identificadas.

Enquanto decorre essa fase, será adquirido um veículo elétrico, «um pré-requisito do concurso», esclarece.
No terreno, a equipa poderá intervir, por exemplo, no diagnóstico de doenças e na definição de estratégias de adaptação às alterações climáticas.
Quanto às áreas de intervenção, «não podem fugir muito do que já fazemos: análise de patologias, bem-estar de peixes e bivalves, análise e minimização do impacto ambiental das produções. E também biologia molecular — técnicas novas de diagnóstico mais rápidas, credíveis e mais diretas», explica.
Na parte da assistência técnica, «queremos também que sirva como para transporte de espécimes vivos e de amostras biológicas perecíveis», reforça a investigadora.
«A ideia é que esta carrinha faça a ponte entre nós e os aquicultores», acrescenta, sublinhando a ligação à estrutura laboratorial do S2AQUAcoLAB, que em breve ficará instalada no Hub Azul de Olhão.
A infraestrutura, que já emprega 40 colaboradores altamente qualificados, está hoje centralizada na Estação Piloto de Piscicultura de Olhão (EPPO) do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), onde deverá manter algumas valências científicas após a mudança.
Submetido há dois anos, o projeto AquaVAN só recentemente foi aprovado. Com duração de 24 meses, tem conclusão agendada para dezembro de 2026. Prevê uma fase de implementação e o teste-piloto. No final, «o equipamento, o veículo e todo o laboratório itinerante ficam conosco e serão feitos os ajustes possíveis para lhe dar continuidade» já como serviço permanente.
A limitação territorial, com forte foco na Ria Formosa, resulta das regras do financiamento do concurso. Pedro Pousão admite, contudo, que a equipa poderá deslocar-se a outras zonas do Algarve, como a Ria de Alvor, se as circunstâncias o exigirem.
Se o modelo demonstrar eficácia, a replicação noutras zonas não está excluída. «Se houver sucesso, poderá servir de modelo para o resto do país», diz, recorrendo a uma metáfora.
«Quando há um crime, a Polícia Judiciária vai ao sítio — não manda recolher as provas e as impressões digitais. Nós também temos que ir ao local do acontecimento recolher seja água, seja seres vivos, ou verificar».
O projeto é aprovado numa altura em que o S2AQUAcoLAB celebra cinco anos de atividade.