Apenas seis mil alunos de cursos profissionais decidiram seguir para o ensino superior, tendo cerca de 22 mil deixado de estudar, de acordo com os últimos dados da DGEEC.
Cerca de 22 mil jovens deixaram de estudar quando terminaram cursos profissionais em 2022, segundo dados da Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC), que indicam que apenas seis mil prosseguiram os estudos para o ensino superior.
A DGEEC acompanhou o percurso dos jovens um ano após terem terminado o ensino secundário e divulgou agora os resultados, que mostram que apenas 24 por cento dos alunos de cursos profissionais continuam a estudar.
A publicação «Transição entre o ensino secundário e o ensino superior 2021/22 – 2022/23» revela que 28.582 alunos terminaram o curso profissional do secundário no verão de 2022 e, um ano depois, só 6.403 estavam inscritos numa instituição de ensino superior (IES).
Apenas 24 por cento continuou a estudar, tendo ficado de fora mais de 22 mil, segundo dados da DGEEC, que mostram que existem vários cursos em que a grande maioria dos estudantes não prossegue os seus estudos.
Entre as áreas em que mais de 90 por cento dos alunos não foram encontrados a estudar no ensino superior estão os cursos de Tecnologias de Diagnóstico e Terapêutica, Cuidados de Beleza, Hotelaria e Restauração, mas também «Materiais», que engloba Indústrias da Madeira, Cortiça, Papel, Plástico ou Vidro.
A estas áreas somam-se os únicos oito alunos que terminaram o curso de Artesanato em 2022 e naquele verão deram por terminados os estudos, assim como os únicos cinco estudantes de Floricultura e Jardinagem, que também não estavam a estudar em 2023.
Nestes dois casos, 100 por cento dos alunos não foram «encontrados a estudar em IES», segundo as tabelas disponibilizadas pela DGEEC.
As estatísticas revelam ainda que entre os alunos dos cursos científico-humanísticos, a situação é diametralmente oposta: quase 56 mil alunos terminaram o secundário em 2022 e mais de 42 mil (85 por cento) estavam, no ano seguinte, a frequentar uma instituição de ensino superior.
Outra das diferenças está no tipo de formação que seguem: se 91 por cento dos alunos de cursos humanístico científicos prosseguiram um curso que confere um grau superior (licenciatura), no caso dos alunos de cursos profissionais metade segue cursos Técnico Superiores Profissionais (CTeSP).
Oito em cada dez alunos dos cursos de Ciência e Tecnologias (81 por cento) e de Ciências Socioeconómicas (80 por cento) estavam em cursos que equivalem a licenciaturas, seguindo-se os alunos de Artes Visuais (65 por cento estava a frequentar um curso superior) e Línguas e Humanidades (59 por cento do total).
Numa análise às regiões com mais alunos a estudar, surgem Guarda e Bragança, onde apenas 17 por cento dos jovens não seguiu para o ensino superior, por oposição a Setúbal (33 por cento), Faro e Lisboa (estes dois últimos com 29% dos alunos fora do ensino superior).
Analisando os diferentes municípios, podem destacar-se casos como Alcácer do Sal, em Setúbal, onde a maioria dos alunos (55 por cento) não prosseguiu os estudos. ´
Também Beja, Moura e Mértola são os concelhos que apresentam percentagens mais elevadas de alunos que deixam de estudar assim que terminam o ensino secundário (43 por cento e 39 por cento, respetivamente).
Em Braga, também mais de metade dos alunos de Terras do Bouro (53 por cento) só fez o ensino secundário, sendo que o universo é de apenas 19 jovens.
Em Penamacor, Castelo Branco, 48 por cento não foi encontrado em qualquer instituição do ensino superior e em Vendas Novas (Évora), 41 por cento dos 101 alunos não estudou mais depois de terminado o secundário, em 2022.
Foto: Jeswin Thomas / Unsplash.