A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) revela hoje a evolução da situação hidrológica, dando conta que a reserva de água no Algarve aumentou para 43 por cento.
Em resultado da significativa precipitação verificada desde segunda-feira, dia 25 de março e em particular no último fim de semana em Portugal continental, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) revela hoje que há uma recuperação em cerca de 36 hectómetros cúbicos (hm3) de armazenamento das principais reservas superficiais no Algarve.
Esta recuperação, segundo a APA, equivale «a 30 por cento de satisfação das necessidades para o abastecimento público, agricultura e turismo».
O armazenamento atual das principais reservas superficiais totaliza nas seis albufeiras do Algarve um volume de cerca de 195 hm3, correspondente a 44 por cento da capacidade total de armazenamento.
Face ao período homólogo de 2023, regista-se ainda um défice de aproximadamente 2 hm3 de água armazenada.
«Não obstante a recuperação observada, a situação hidrológica da região do Algarve, ainda persiste como a mais preocupante a nível nacional em termos de disponibilidades e ainda em seca hidrológica extrema, pelo que a APA, no decurso de mês de abril, vai realizar a avaliação da situação hidrológica e respetivas projeções, para determinar a possibilidade de revisão das condicionantes em vigor na região».
Importa, «no entanto, continuar a assegurar em cada momento o armazenamento do volume necessário para um ano de abastecimento público nas diferentes origens naturais utilizadas», diz a APA em comunicado.
No que respeita aos dados nacionais, a APA salienta «que as reservas registam um valor de cerca de 89 por cento da capacidade total e que das 80 albufeiras monitorizadas, 56 apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80 por cento do volume total e quatro têm disponibilidades inferiores a 40 por cento do volume total. Os armazenamentos de março de 2024 por bacia hidrográfica apresentam-se superiores às médias de armazenamento de março (1990/91 a 2022/23), exceto para as bacias do Ave, Mira, Ribeiras do Algarve e Arade».
Hoje, António Eusébio, presidente da Águas do Algarve, disse que a chuva repôs alguma normalidade, mas isso não significa que se pode «gastar água à vontade», porque as reservas ainda não são suficientes para se estar «descansado».
Ontem, os regantes do Algarve apelaram ao novo governo para que alivie as restrições ao consumo de água na agricultura, impostas devido à seca que afeta a região, após o nível das albufeiras ter subido com as chuvas registadas na Páscoa.
O Algarve está em situação de alerta devido à seca desde dia 5 de fevereiro, tendo o governo aprovado um conjunto de medidas de restrição ao consumo, nomeadamente a redução de 15 por cento no sector urbano, incluindo o turismo, e de 25 por cento na agricultura.
A estas medidas somam-se outras como o combate às perdas nas redes de abastecimento, a utilização de água tratada na rega de espaços verdes, ruas e campos de golfe, ou a suspensão da atribuição de títulos de utilização de recursos hídricos.
O anterior governo admitiu elevar o nível das restrições, declarando o estado de emergência ambiental ou de calamidade, caso as medidas sejam insuficientes para fazer face à escassez hídrica na região.