Quando se fala de voleibol, ninguém mencionará Portimão como um dos seus bastiões. Contudo, a cidade do Arade contribui com dois jogadores para a seleção nacional, um dos quais é o seu capitão.
O «barlavento» foi procurar saber o que se passa com a modalidade a nível local, como começou e para onde vai. E ninguém melhor do que Edgar Plácido, professor de educação física e um dos fundadores do clube, que fomos encontrar na Praia da Rocha a treinar os jovens jogadores de voleibol de praia.
Segundo ele, tudo começou com um grupo de amigos que gostavam de fazer voleibol de praia e que necessitavam de uma organização estruturada para conseguir licenças e patrocínios. Em 1991, nasceu a associação, tendo como grande impulsionador o professor Manuel Branco.
Até 2002, o clube mantém-se somente com o voleibol de praia, deixando fugir para o vizinho Che Lagoense, no Parchal, os atletas que desejavam praticar a modalidade de pavilhão. Entre eles, encontra-se João José, hoje com 37 anos, capitão da seleção nacional e com um palmarés invejável na modalidade. A partir dessa data, iniciou as escolinhas, de onde acabou por sair Afonso Guerreiro, que tem 20 anos e já integra a seleção nacional. Em 2005, surge a primeira equipa federada de infantis.
Entretanto, o nosso entrevistado tinha ido para o comando técnico da equipa sénior do Che Lagoense, mas iniciou um projeto paralelo, com raparigas, no âmbito do desporto escolar, na Escola José Buisel.
«Em 2007, surge o convite da direção dos Amigos de Voleibol para trazer a equipa que tinha na escola, aproveitar algumas das miúdas que vinham das escolinhas e formar uma equipa. Tivemos quatro equipas, duas masculinas e duas femininas, o maior número de sempre no clube», disse-nos Edgar Plácido. «O Afonso fazia parte dessa primeira equipa de infantis, na altura comandada pelo professor Filipe Alves e, mais tarde, pelo professor Trindade».
Em 2008, surge o treinador búlgaro Valentin Milev, dá-se uma reformulação e a direção decide apostar simplesmente no voleibol feminino e apenas na equipa sénior, com o projeto ambicioso de levar a equipa à primeira divisão, o que não aconteceu, embora a tenham conseguido manter até 2013, quando a crise económica obrigou a suspender o desporto federado. Contudo, têm entrado no maior torneio que acontece no Algarve e, nos últimos quatro anos, arrancaram três vitórias e um segundo lugar.
Ultimamente, viram-se obrigados, por razões económicas, a abdicar do voleibol de pavilhão, regressando às origens, a modalidade de praia. Mas a mudança de atitude da federação em relação à modalidade poderá ser-lhes benéfica.
O clube continua a organizar o torneio de verão, que beneficia de duplas do norte e de outras zonas do país, havendo já duplas que são habituais. Como o torneio acontece quando as competições já terminaram, há muitos atletas de férias e que aproveitam para confraternizar. O ano passado fizeram uma aposta diferente, com torneios para equipas masculinas e femininas no sábado e mistas no domingo. «Pretendeu-se regressar às origens, quando o voleibol era jogado em família. Tivemos duplas marido/mulher, irmão/irmã, etc.».
De notar que alguns atletas do norte de Portugal, hoje integrados na seleção nacional, passaram pelo Torneio da Praia da Rocha, que se tornou uma referência no panorama nacional.
Voleibol de praia o ano inteiro
A Federação Portuguesa de Voleibol está a fazer uma aposta grande para que a modalidade seja praticada durante todo o ano. Até agora, têm sido os atletas de pavilhão quem o pratica, durante o verão, mas sempre com o pavilhão e os clubes em primeiro lugar. A ideia será captar praticantes de voleibol de praia em exclusividade, como já acontece noutros países.
Gira-Praia é a designação e foram criados, em 2014, quatro centros piloto no Algarve, em Portimão, Lagos, Faro e Albufeira. Os Amigos do Voleibol de Portimão estão envolvidos no circuito regional de gira-praia.
«Pretende formar jogadores dos 7 aos 18 anos, em três escalões (até aos 15 anos), sendo o grupo etário 16-18 um escalão híbrido, no qual a Federação não quer apostar muito, a não ser que os atletas tenham um determinado perfil, numa tentativa de apanhar um talento para os seniores. Eu uso esse escalão como referência para os mais novos», disse-nos o treinador Edgar Plácido.
Praia da Rocha é campo de treino sueco
Mais uma vez, durante a última semana de abril e a primeira de maio, o voleibol sueco assentou arraiais na Praia da Rocha. Segundo eles, é o melhor local na Europa para a prática do voleibol de praia, pela extensão do areal, pela beleza, pelas condições logísticas.
Este ano, montaram trinta e dois campos para permitir que os 350 praticantes pudessem treinar nas melhores condições. A comitiva integra desde jovens que se estão a iniciar até aos atletas que fazem parte dos circuitos europeu e mundial. Têm saído de cá muito satisfeitos, o que justifica o aumento dos doze campos iniciais para quase o triplo.
Será que as entidades locais competentes já se aperceberam do potencial que lhes caiu nos braços e começaram a dar os passos necessários para, usando os suecos como chamariz, cativar outros mercados?