A exposição «Da Torre a Brincar desde 1989» inaugura hoje, às 17h30, no Polo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte.
Com poucos habitantes, a aldeia da Torre, a poucos quilómetros de Alte, seria um lugar isolado, não fosse a iniciativa e o trabalho de três artesãs: Aliete Graça, Ana Elói, e Silvina Martins que fundaram esta fábrica de brinquedos.
Desde 1989 que a antiga escola primária deu lugar à carpintaria onde são fabricados, à mão, um de cada vez, brinquedos artesanais de madeira. Resta o quadro e o giz onde visitantes de todo o mundo deixam mensagens. No início eram sete pares de mãos. Mas a dureza do ofício e as muitas horas de trabalho para um rendimento curto, reduziram o grupo a um trio.
Aliete pinta com um emaranhado de pequena abelhas, joaninhas, golfinhos e outras criaturas coloridas. Retoca uma série de mobiles que um dia irão alegrar berços de bebés. Ao lado, Silvina pinta as orelhas de pequenos cães em madeira, que quando estiverem prontos, vão ganhar rodas para a brincadeira.
Aqui fazem-se brinquedos que provavelmente, enquanto existir infância, nunca passarão de moda. Inspiram-se na cultura tradicional e popular. Muitos ainda vivem na memória e nas recordações das gerações mais antigas – carros de puxar por cordel, comboios, carrosséis e cavalos de pau.
Mas a imaginação e a perícia das artesãs não tem limites. Há aviões, helicópteros, retroescavadoras, veículos todo-o-terreno (alguns criados para serem troféus da prova de Salir), e até motos. Há também jogos de lógica para crianças.
A maioria das vendas acontece nas feiras e mercados da região. Tudo é feito de raiz. Aliás, são as três que escolhem as madeiras em bruto (faia e pinho) e cortam as tábuas que serão brinquedos.
Além do universo infantil, produzem bijuteria para adultos a partir de matérias naturais como sementes de frutos secos, caroços de frutos (pêssego, alperce, amêndoas, ameixas), bolotas, feijões e até cascas de caracóis.
Na Torre, o maquinar desta carpintaria corta o isolamento. O maquinar e o riso das crianças que ocasionalmente descobrem este pequeno reino da fantasia.
A oficina surge no contexto do programa de conservação do Património Cultural, uma série de cursos foram lançados em diversas localidades da Serra do Caldeirão.
Um destes cursos, promovido pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e dinamizados pela Associação In Loco, deu origem à oficina «Da Torre», um testemunho vivo do sucesso destes programas formativos.
A exposição patente no Polo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte pretende retratar a evolução e os 35 anos de trajetória da oficina, apresentando uma variedade de trabalhos.
Às 18h00, após a inauguração da exposição, terá lugar uma sessão de divulgação e informação sobre o programa de capacitação para o empreendedorismo de base rural.
Esta sessão tem como objetivo fornecer informações sobre como criar, aumentar ou diversificar uma atividade económica em meio rural.
A exposição vai estar patente ao público de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00.






