A ideia de angariar donativos para ajudar os refugiados partiu de um grupo de amigos da zona de Lisboa, que não conseguiu ficar indiferente à tragédia humanitária, que se desenrola há meses e agora se intensificou às portas da Europa. A mensagem da missão alastrou-se, de imediato, por todo o país e, em apenas sete dias, muitos foram os que contribuíram e ajudaram, de alguma forma, para minimizar o terror que os refugiados sírios estão a viver.
Em tempo recorde, organizaram-se 30 pontos oficiais de recolha em Portugal, sendo um deles em Faro.
«Um amigo desafiou-me a ajudar no sentido de receber os bens» explica Carlos Gordinho, 48 anos, vogal no executivo da Junta União de Freguesias de Faro (Sé e São Pedro).
Esta autarquia foi, por isso, a única no Algarve a disponibilizar as suas instalações no âmbito desta iniciativa de solidariedade.
Em apenas quatro dias, Gordinho explica que receberam «entre 50 a 60 volumes de roupa». Continua, admitindo que «muitas pessoas ficaram tristes, porque a recolha já tinha terminado. Posso garantir que os algarvios, na generalidade, são pessoas de grande coração e que querem ajudar os outros», afirma.
Na sua opinião, esta foi «uma iniciativa que teve um grande impacto junto da população, porque [as pessoas] estão a acompanhar com grande preocupação tudo o que se está a passar com os migrantes fugidos da guerra da Síria. Sentem-se angustiadas e, assim que alguma ajuda é precisa, querem imediatamente ajudar! Acredito que se for necessário acolher refugiados aqui, as pessoas também terão uma boa aceitação. Não creio que vá haver algum problema. Estão sensibilizadas, preocupadas e são solidárias. Creio que, para lá dos problemas que sentem no dia a dia, não voltam as costas à angústia dos outros povos. Se nos procurarem, vamos ajudar», salienta.
No total, a campanha de solidariedade portuguesa resultou numa caravana composta por três camiões e uma carrinha de mantimentos. Já há contactos estabelecidos com ONGs da Croácia, Eslovénia, Hungria e Áustria e «vários pedidos de ajuda» recebidos.
Aliás, na página do facebook «Aylan Kurdi Caravan» – em homenagem ao menino recolhido morto à beira-mar numa praia da Turquia, cuja morte fez despoletar a consciência dos europeus – é possível acompanhar o desenrolar diário desta ação humanitária e ler algumas partilhas da organização.
«A sociedade está cada vez mais informada, mais capaz de perceber a diferença entre imigrante, requerente de asilo e refugiado», lê-se na rede social, que também agradece o papel da comunicação social portuguesa no sucesso da iniciativa.