Mais uma legislatura e perdemos qualidade no contexto nacional. No investimento global de fundos nacionais e europeus ficámos de novo na cauda! Será o Algarve uma terra de cegos?
Ou uma terra cada vez mais indefinida, tal a invasão silenciosa de investidores que deixam caixotes inflacionados, falo de construção civil abusiva que hoje quase não tem rendimentos para incautos investidores, só elevados valores de IMI para os cofres públicos, preços de oferta turística exorbitantes baixando valores por reações de mercado e, modernamente, outros chicos-espertos que importam mão de obra que desconhece a nossa cultura e pressionam salários.
Uma região que alimentou o país em divisas é hoje uma região desprezada!
Os nove deputados de levantar o braço que se escondem em requerimentos e pedidos de esclarecimento sabem da realidade e vão alimentando os seus egos e intermediando interesses e cofres!
O Algarve não tem o fulgor que merece e as razões podem ser fundamentadas! Salários baixos e falta de condições de trabalho são factos!
No Algarve paga-se para andar na única estrada digna desse nome, morre-se em perigos e anda-se a passo de caracol numa extensa rua que foram os políticos a abandalhar e nem conseguem resolver (sigam a polémica com a concessionária da EN 125); não temos médicos de família e enfermeiros para as necessidades; também não temos incubadoras nem responsáveis.
As quebras líquidas de receitas da atividade comercial subsidiária do alojamento hoteleiro também são outro facto! O custo de vida é outro, para uma região de sazonalidade cada vez mais acentuada.
A habitação social desapareceu dos Orçamentos de Estado (OE) e dos orçamentos camarários com a proliferação da insalubridade e chegando as condições de vida ao nível do salazarismo/marcelismo.
E a UE acha-nos ricos!
Tanta estupidez aceite sem que a culpa pertença à imensa maioria que nasceu e procurou o Algarve como oportunidade!
A população envelhece, a imensa maioria vive na pobreza das reformas, a natalidade está mais entregue aos estrangeiros, logo, as estruturas de funcionamento da sociedade podem baixar o nível de prestação.
No Algarve paga-se para andar na única estrada digna desse nome, morre-se em perigos e anda-se a passo de caracol numa extensa rua que foram os políticos a abandalhar e nem conseguem resolver (sigam a polémica com a concessionária da EN 125); não temos médicos de família e enfermeiros para as necessidades; também não temos incubadoras nem responsáveis.
O Estado não investe no Hospital Central nem no Serviço Nacional de Saúde (SNS) mas enche os bolsos dos privados (que até já se apoderaram de uma parte do serviço de ambulâncias).
Os profissionais envelhecem ou recusam a chantagem das más condições de trabalho e as profissões estão desertas porque é mais facil seguir acordos que inundam a mão de obra de asiáticos que não se fazem ouvir…
E falando de formação profissional numa região quase de exclusividade turística, formam-se mais gestores de hotelaria a nível universitário que profissionais das variadas áreas de intervenção… baixando ridiculamente os níveis de qualidade dos serviços que são a parte considerável da imagem a vender.
Há restaurantes onde 80 por cento dos funcionários são estrangeiros a que se juntam alguns jovens estudantes ocasionais para assegurar picos.
A cozinha algarvia está exposta. Este é mais um dos problemas silenciosos que terá custos a prazo. Há muito que os principais concelhos deveriam ter uma vertente escolar (sendo mais insuportável a falta de visão que os custos…) para prover a sustentabilidade e o crescimento do sector.
Os problemas silenciados com a falta de investimento público no Algarve não podem ficar arredados do caminho para o 6 de outubro! Há que confrontar os candidatos!
Luís Alexandre | Ensaísta e escritor