Quase 50 por cento dos trabalhadores imigrantes no sector do turismo no Algarve são jovens adultos, na sua maioria do Brasil que buscam melhores condições de vida num país próximo culturalmente, indica um estudo de um laboratório colaborativo na área do turismo.
O principal perfil da amostra, que «representa 47,8 por cento dos inquiridos, é predominantemente constituído por jovens adultos [entre 30 e 39 anos], principalmente do Brasil, que veem Portugal como uma extensão cultural das suas origens e buscam melhorar suas condições de vida», lê-se num resumo com as principais conclusões do estudo a que a agência Lusa teve acesso.
Em declarações à Lusa, fonte do laboratório colaborativo KIPt (Knowledge to Innovate Professions in Tourism) que realizou o estudo, disse que 32 por cento dos inquiridos é de nacionalidade brasileira, sem especificar a percentagem existente em cada um dos perfis.
O estudo «Imigrantes na Profissão em Turismo e Hospitalidade no Algarve», que é apresentado na sexta-feira, em Albufeira, resulta da aplicação de 499 questionários recolhidos entre o verão de 2023 e o início de 2024.
O estudo identificou três perfis de profissionais imigrantes, que vivem a profissão com intensidades diferentes, facto que justifica que as suas intenções variem entre a integração a longo prazo e a transição para outros destinos ou sectores.
O primeiro perfil baseado na amostra – imigrantes com afinidade cultural a Portugal e necessidades socioeconómicas – indica que as motivações centrais neste grupo incluem «estabilidade financeira e acesso a uma vida mais segura».
O relatório alerta que, embora este perfil apresente «uma intenção relativamente sólida» de continuar em Portugal, a satisfação com as condições atuais de vida é «moderada», o que pode afetar a permanência a longo prazo.
Um segundo perfil da amostra – imigrantes em busca de melhor qualidade de vida e novas oportunidades – é composto por 43,9 por cento dos participantes, sobretudo jovens (entre os 20 e os 29 anos) vindos do Brasil, Índia e Nepal, na sua maioria solteiros e com uma escolaridade que vai do ensino secundário ao superior.
«Os indivíduos deste perfil vieram para Portugal atraídos pela promessa de uma vida melhor, com oportunidades de desenvolvimento pessoal e segurança que não tinham em seus países de origem», refere o resumo do estudo.
Segundo o estudo, este grupo de imigrantes tem a expectativa de crescimento e estabilidade num ambiente mais favorável e «a elevada satisfação com as condições de vida em Portugal reforça sua intenção de permanecer no país a longo prazo».
Um terceiro perfil – imigrantes orientados para networking e desenvolvimento profissional – compreende 8,3 por cento da amostra e é caracterizado por imigrantes europeus, maioritariamente jovens altamente qualificados e que valorizam redes de contacto e oportunidades de desenvolvimento de competências.
Este grupo de imigrantes no Algarve «percepciona o país como uma plataforma para networking [rede de contactos] e crescimento na carreira, mas não necessariamente como destino definitivo».
O estudo sublinha que a insatisfação deste grupo «com certas condições de vida e uma menor conexão com a cultura local justifica a maior propensão para considerarem a emigração para outros países ou o regresso ao seu país de origem».
O KIPt é um laboratório colaborativo na área do turismo criado na Universidade do Algarve (UAlg), que pretende ser um espaço de cocriação entre a academia, as empresas e as associações que se juntam para valorizar as pessoas e o turismo.
Foto: Bruno Filipe Pires