O presidente da Região de Turismo do Algarve enaltece «aumento significativo de receitas» na hotelaria, restauração e comércio.
A quarta edição do Afro Nation, considerado o maior festival de música afrobeat do mundo, voltou a trazer a Portimão dezenas de milhares de pessoas, mas não só. Ao longo da semana, todo o Algarve recebeu festivaleiros que vieram tanto pelo evento como pela sua localização.
O festival, que este ano decorreu de 26 a 28 de junho na Praia da Rocha, tem-se traduzido em «repercussões económicas, culturais e sociais significativas», ressalta o presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), André Gomes.
Ainda que a região experiencie um elevado número de turistas todos os verões, em nada se compara ao que se vive durante a semana do Afro Nation. Pessoas de todo o mundo vistam o Algarve, o que representa uma «injeção direta de capital na economia local,» salienta André Gomes em entrevista ao barlavento.
Diversos hotéis, alojamentos locais, restaurantes, bares, lojas, empresas marítimo-turísticas e transferes registam «um aumento significativo de receitas» durante os dias do festival, sublinha.
«A ocupação hoteleira fica perto da capacidade máxima em algumas unidades e os preços dos alojamentos tendem a subir devido à elevada procura. Para além do alojamento, o consumo em estabelecimentos de restauração e lazer aumenta exponencialmente, beneficiando os negócios locais e gerando mais postos de trabalho temporários para responder à procura», acrescenta.
Segundo a organização, «a duração média da estadia dos participantes do festival situa-se entre os 7 e os 10 dias, o que comprova a beleza e o acolhimento da cidade». Adicionalmente aos que viajam em diversão, há os que se deslocam em trabalho e acabam também por desfrutar. «A equipa apaixonou-se pelo local, muitos optam por fazer as suas férias no Algarve e alguns até decidiram ficar cá entre 6 a 12 meses», admitiram ao barlavento.
«No verão passado, a nossa equipa de marketing encontrou o cabeça de cartaz deste ano, Asake, a visitar as grutas ao longo da costa num passeio de barco. Também Burna Boy foi visto a praticar Jet Ski ao largo da costa e a festejar o seu aniversário aqui, por isso, o mesmo se pode dizer dos restantes artistas, que vão certamente conseguir tempo nas suas agendas para desfrutar da cidade», enaltece a organização.
Não só este evento traz milhões de festivaleiros portugueses e estrangeiros a Portimão como milhares de pessoas ao Algarve, seja para acompanhar os amigos e aproveitar para fazer férias ou para trabalhar nos bares, segurança, bastidores e produção do Afro Nation.
Concelhos vizinhos como Lagos, Lagoa e Albufeira têm igualmente beneficiado das vantagens do espetáculo que promove a «multiculturalidade» e «fortalece o caráter cosmopolita do Algarve», o que para além de colocar a região «no mapa dos grandes eventos culturais», pode atrair futuros investimentos, de acordo com o presidente da RTA.
Também a organização vê a escolha do local como uma mais-valia ao que o Afro Nation proporciona. «As pessoas dizem-nos o quanto gostam de visitar Portimão e o Algarve. Gostávamos muito que o festival se continuasse a realizar aqui durante, pelo menos, os próximos 20 anos», disseram ao notar que este foi «o melhor ano em todos os níveis».
«Estamos sempre a tentar elevar ainda mais a experiência e a forma como nos integramos no paraíso que é a Praia da Rocha. Nada disto seria possível sem a colaboração com o município de Portimão e a simpatia com que todos recebem a nossa comunidade», afirma a organização.
«A forma como mostramos a cidade ao mundo e o impacto económico na região são importantes para nós», evidenciam ao comentar que um dos seus objetivos é tornar o festival «tão acessível quanto possível» ao mesmo tempo que contratam artistas de renome a nível mundial.
De forma a que diferentes cidades estejam preparadas para a quantidade de pessoas que visita o Algarve, André Gomes revela que são desenvolvidas estratégias intermunicipais como a coordenação de transportes, o aumento da oferta de alojamento e o melhoramento das infraestruturas de apoio para que seja feita uma gestão eficaz do afluxo de turistas e se minimizem os transtornos para os residentes.
A reação das diferentes autarquias algarvias tem sido «amplamente positiva», com Faro também a presenciar um acréscimo de turistas nesta altura, registando-se, em 2023, um aumento de mais de 10 por cento do número de passageiros que aterram no aeroporto no mês de junho.
«O Afro Nation tem sido um catalisador importante para o turismo e a economia local», estimando-se que cada edição anterior tenha injetado milhões de euros na economia regional, com um retorno financeiro «direto e indireto», divulgou o presidente da RTA.
Contudo, dar resposta a um evento desta dimensão apresenta vários desafios, dos quais se destaca a contratação de trabalhadores que continua a ser um problema «transversal a toda a atividade turística e a nível global» para as empresas de restauração e hotelaria, frisa André Gomes.
Esta que é uma celebração da música e cultura africana é também uma oportunidade para transmitir a essência do Algarve, por isso, «tem havido o cuidado de promover a cultura, a gastronomia e as belezas naturais da região, aproveitando a visibilidade e o alcance do evento», reforça o presidente da RTA.
«Há um esforço contínuo» para que os festivaleiros desfrutem não apenas do festival ou das praias que dão fama internacional ao destino, mas também da riqueza do nosso património, confessa.
Portimão consolida-se como um local de festivais de música que, na ótica de André Gomes, tem demonstrado capacidade e infraestruturas adequadas para acolher este género de eventos.
Este ano, tal como na edição passada, o areal voltou a encher-se de diferentes bandeiras. Porém, enquanto em 2023 se contabilizaram nacionalidades de mais de 140 países, este verão foram mais de 170, dá conta a organização ao mencionar que houve um aumento de portugueses a comprar bilhete e o número de participantes excedeu as suas expetativas.
Em comunicado, a Polícia de Segurança Pública (PSP) divulgou que a média diária foi de 35 000 participantes, menos 5 000 que no ano anterior.
Fotos: Ricardo Santos & Samuel Martins.


