A criatividade deve prevalecer, com toda a dinâmica necessária para, como se costuma dizer, dar a volta às coisas.
O Algarve composto por 16 capelinhas, onde cada dono do poder se sente rei, nunca foi capaz de ultrapassar essa definição, gerando na intermunicipalidade e na vizinhança alavancas para a criação de desenvolvimento e riqueza.
Porque os «reis» não perceberam que, num tempo de vacas magras, o caminho passa por se constituírem alianças estratégicas para originar mais valias numa política abrangente a todos os territórios vizinhos.
Há muitas situações logísticas que podem e devem ser definidas e colocadas ao serviço dos municípios em parceria – por exemplo, central de compras comum, recolha de lixos, criação de uma estação fotovoltaica para fornecimento público de energia aos concelhos, melhoria de vias de comunicação com um plano comum, infraestruturas públicas, etc., etc.
Acabou o tempo do verbalismo. Os partidos políticos, e consequentemente os políticos, na sua maioria, estão desacreditados aos olhos do povo. A razão prende-se com o excesso de linguagem e com palavras ocas, promessas vãs e a falta de ideias e projetos concretos. E é aqui que os tempos têm que mudar ou os partidos continuarão a ser meros organismos partidários criadores de tachos, onde a luta se desenrola na conquista meramente do poleiro.
Nada impede os partidos políticos, às associações e grupos de cidadãos de desenvolverem, no dia a dia, projetos de bem-estar para a comunidade onde estão inseridos. E não vimos, até hoje, numa escala muito alargada, estes grupos de cidadãos apresentarem projetos para desenvolvimento e dinamização dos seus territórios e comunidades, a todos os níveis – económicos, culturais, sociais e tudo o mais que se possa imaginar – porque falham as ideias, os valores e impera o egoísmo, porque o jogo que estão jogando não é para a comunidade mas, tão só, para o si próprios e os seus compadres e mais chegados.
Em todos os concelhos existem lojas fechadas, quiosques abandonados, pequenas indústrias desativadas e toda uma infinidade de ocupações que podem e devem ser retomadas.
Lojas fechadas – porque não reunir os proprietários e com eles dialogar para que possam ser reabertas dentro de uma política de rendas acessíveis, e, se necessário, dividir a loja por uma ou mais pessoas?
Os quiosques devem ser ocupados, com valores que possam permitir a sua rentabilidade, criando novos espaços para além do que é habitual, levando ao aparecimento, por exemplo, de uma cooperativa. Porque não criar espaços para pequenas indústrias, de artesanato e outras?
Chega-se à altura da pergunta sacramental – e o dinheiro para isso? Há fundos comunitários que podem ser absorvidos – são precisos projetos; há o mini crédito; há todo o envolvimento das forças vivas para ajudar a ultrapassar estas etapas. Há também o recurso das vendas em segunda mão e de se imaginarem outras alternativas.
O Algarve é uma região onde impera o desemprego, a sazonalidade é uma realidade perigosa, mas não se avança para uma estratégia que possa minorar esta situação.
Só se alcança uma melhoria se houver a união de todas as forças desde o poder político, aos empresários, às associações cívicas e de todos os que desejarem participar num projeto essencialmente mobilizador que congregue as diferentes sinergias.
Ou seja, devemos acabar com os caminhos paralelos e passarmos todos a percorrer a mesma estrada, sem nos preocuparmos com as ideias políticas ou credos das pessoas, e com o sofisma de que estaremos a dar trunfos ao adversário – somos todos cidadãos do Algarve, somos todos algarvios.