A entrada em circulação dos comboios elétricos na linha do Algarve transforma uma promessa herdada num serviço público e, distingue o fazer da AD do ruído do PS.
Há momentos em que a política se explica sem discursos longos. Basta uma estação e um comboio que chega. Desde 19 de julho, a Linha do Algarve funciona integralmente com tração elétrica entre Lagos e Vila Real de Santo António (VRSA). O que durante anos foi promessa, projeto, obra e espera passou finalmente a ser serviço público ao dispor dos algarvios.
Há menos de dois meses, em 29 de maio, os deputados socialistas Luís Graça e Vítor Guerreiro perguntavam ao Governo por que razão continuavam a circular «velhos comboios a diesel» numa linha já eletrificada.
Reivindicavam para os governos do PS o financiamento e o lançamento das obras e exigiam saber quando entrariam em circulação as composições elétricas. A pergunta era legítima; o tom, porém, procurava insinuar inércia onde decorria o trabalho técnico necessário para certificar a infraestrutura e organizar a operação.
A resposta do Governo da Aliança Democrática não veio em forma de insulto, desculpa ou conferência de imprensa indignada. Veio sobre carris. A operação elétrica arrancou, os comboios a diesel foram substituídos pelas unidades elétricas UTE 2240 e a oferta regional aumentou cerca de 18%. As composições passam de 388 para 536 lugares, oferecem melhores acessibilidades, reduzem o ruído e dispõem de informação visual e sonora.
Mais importante ainda, foram criadas ligações diretas entre Lagos e Vila Real de Santo António, o que reduziu os transbordos em Faro. Passou a existir maior frequência nas horas de ponta, um comboio por hora entre Vila Real de Santo António e Faro e um comboio a cada duas horas entre Faro e Lagos, além de dois serviços InterRegionais diários com menos paragens. Não é propaganda: é mais mobilidade, conforto e tempo devolvido às pessoas.
É justo reconhecer que as obras atravessaram diferentes governos. A continuidade do Estado não deve ser apagada pela espuma partidária. Os socialistas recordam duas empreitadas avaliadas em cerca de 80 milhões de euros; o Governo indica um investimento global de 135 milhões executado pela Infraestruturas de Portugal. O mérito de iniciar uma obra não confere, porém, o direito de ignorar quem a conclui, certifica e transforma numa resposta concreta.
É aqui que se distingue o dizer do fazer. O PS habituou-se durante demasiado tempo a tratar cada anúncio como obra concluída e cada verba inscrita como benefício já entregue. Quando passou para a oposição, tentou converter a demora entre a eletrificação física e a entrada em exploração numa acusação política. A AD respondeu como deve responder um Governo responsável: trabalhando até que o sistema estivesse seguro, certificado e operacional.
Esta é também uma resposta democrata-cristã. A política não existe para alimentar a vaidade dos governantes nem para oferecer frases de efeito aos deputados. Existe para servir o bem comum. E o bem comum, no Algarve, mede-se na possibilidade de um trabalhador chegar a horas, de um estudante se deslocar com autonomia, de uma pessoa idosa viajar com conforto e de um cidadão com mobilidade condicionada encontrar melhores acessibilidades.
A subsidiariedade ensina-nos que as decisões públicas devem aproximar soluções das pessoas. A solidariedade exige que o território não seja condenado por viver longe de Lisboa. A responsabilidade lembra-nos que o dinheiro público deve produzir resultados duradouros. A eletrificação integral da Linha do Algarve reúne estes princípios: aproxima concelhos, reduz desigualdades territoriais e moderniza um serviço essencial.
Há ainda uma dimensão ambiental e económica. Eliminar o funcionamento a gasóleo reduz emissões e torna a operação mais eficiente. Melhorar as ligações entre os centros urbanos fortalece a mobilidade quotidiana, mas também o turismo, o comércio e o acesso ao emprego. Uma região que recebe milhões de visitantes não pode continuar dependente de uma ferrovia regional lenta, fragmentada e ultrapassada.
Esta conquista não encerra o debate ferroviário no Algarve. Persistem desafios na fiabilidade, nos horários, na articulação com autocarros, na ligação ao aeroporto e na modernização de estações e interfaces. Mas há uma diferença moral entre reconhecer o que falta e fingir que nada foi feito. A oposição responsável fiscaliza, propõe e coopera; a oposição demagógica lança suspeitas e, quando a resposta chega, muda de assunto.
Em maio, os deputados do PS perguntaram quando chegariam os comboios elétricos. Em julho, os algarvios receberam a resposta. Não numa folha de propaganda, mas numa linha ferroviária em funcionamento. A AD demonstrou que governar é transformar promessas herdadas em serviços prestados. Entre quem pergunta para produzir ruído e quem trabalha para produzir resultados, o Algarve saberá reconhecer a diferença.
Na política, como na ferrovia, não basta anunciar a partida. É preciso chegar ao destino.
Alexandre Guedes da Silva | Algarvio e Democrata Cristão
Foto: Bruno Filipe Pires