A disciplina de Português concentrou uma em cada quatro provas da primeira fase de 2026. Matemáticas recuperaram, enquanto Biologia e várias humanidades recuaram.
O exame mais realizado do país concentrou uma em cada quatro provas da primeira fase. Resultados melhoram em Matemática A, MACS e Geometria Descritiva, mas recuam em Biologia e várias disciplinas de Humanidades.
De acordo com os dados disponibilizados hoje pelo Júri Nacional de Exames (JNE), relativos aos resultados dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário 2026 – 1.ª fase, a média do exame nacional de Português caiu de 12,6 para 11,4 valores, enquanto o número de classificações negativas aumentou de 14.125 para 22.812.
A quebra de 1,2 valores assume particular relevância por se verificar na disciplina com maior número de provas realizadas. Português reuniu 76.736 exames, o equivalente a 25,3% das 303.563 provas feitas no conjunto nacional — pouco mais de uma em cada quatro.
Apesar de terem sido realizados menos 203 exames de Português do que em 2025, o número de negativas aumentou em 8687. A proporção de classificações abaixo dos 10 valores passou de 18,4% para 29,7%, uma subida superior a 11 pontos percentuais.
Os resultados nacionais, porém, não revelam uma quebra transversal. Das 25 disciplinas sujeitas a exame, 15 melhoraram a média e dez pioraram. Entre aquelas que tiveram mais de 2500 provas realizadas, nove subiram e seis desceram.
Uma ponderação das médias pelo número de provas aponta para uma descida global aproximada de 11,56 para 11,37 valores. Este cálculo deve ser lido como uma estimativa, uma vez que o JNE não publica uma média conjunta e os valores de cada disciplina são apresentados já arredondados. Também não se trata de uma média por aluno, uma vez que o mesmo estudante pode realizar vários exames.
Biologia acompanha quebra de Português
Biologia e Geologia, a terceira disciplina com mais provas realizadas, apresenta outra das principais quedas. A média desceu de 12,4 para 11,1 valores, num universo de 34.487 exames.
A percentagem de negativas aumentou de 24,6% para 38,9%. Em números absolutos, foram registadas 13.424 classificações abaixo dos 10 valores, contra 9291 no ano anterior.
A quebra estende-se a várias disciplinas de Humanidades. História da Cultura e das Artes perdeu 1,6 valores, a maior descida entre os exames nacionais, ao passar de 12,6 para 11 valores. A proporção de negativas subiu de 17,7% para 32%.
Literatura Portuguesa caiu de 10,6 para 9,6 valores e tornou-se a única disciplina com média negativa em 2026. Quase metade das 877 provas, 48,6%, teve uma classificação inferior a 10 valores.
Filosofia ficou exatamente no limiar positivo, com uma média de 10 valores, menos quatro décimas do que em 2025. Ainda assim, 46,9% das provas tiveram classificação negativa.
Matemáticas recuperam
No sentido contrário, as maiores recuperações verificaram-se em disciplinas de componente matemática.
Geometria Descritiva A registou a maior subida entre os exames com milhares de candidatos, ao passar de 8,9 para 11,4 valores. A percentagem de negativas recuou de 55,3% para 39,1%.
Matemática Aplicada às Ciências Sociais também saiu do terreno negativo. A média subiu de 9,2 para 10,5 valores e a proporção de negativas desceu de 54,3% para 43,6%.
Em Matemática A, o segundo exame mais realizado, com 36.812 provas, a média avançou de 10,5 para 11,4 valores. As negativas diminuíram de 42,1% para 35,5%.
Matemática B constitui a exceção, com uma descida de 11,6 para 11,3 valores. Apesar da ligeira quebra da média, a percentagem de negativas também diminuiu, de 32,6% para 30,4%.
Física e Química A manteve uma média praticamente estável, ao passar de 11 para 11,1 valores, mas apresentou uma melhoria expressiva na distribuição dos resultados. A proporção de negativas caiu de 41,3% para 32,9%.
Inglês subiu de 14,1 para 15,3 valores e apresenta a média mais elevada entre os exames com mais de 2500 provas. Economia A melhorou de 11,4 para 12 valores e Geografia A passou de 10,1 para 10,7.
A disparidade das oscilações — dos 2,5 valores ganhos em Geometria Descritiva aos 1,6 perdidos em História da Cultura e das Artes — é compatível com dinâmicas específicas de cada prova, e não com uma melhoria ou deterioração transversal dos resultados.
Os dados, por si só, não permitem determinar se as variações resultam da dificuldade de cada prova, dos critérios de classificação, da composição dos candidatos ou de diferenças de desempenho entre coortes.
Na primeira fase de 2026, foram registadas 342.812 inscrições e realizadas 303.563 provas.
O número de faltas fixou-se em 39.249, o que manteve a taxa arredondada nos 11%. Em 2025, tinham sido realizadas 307.270 provas.
Consulte os resultados de exames nacionais do ensino secundário da 1.ª Fase, por disciplina.
E também as distribuições de classificações das Provas Escritas.