Partido considera a mudança positiva, mas reclama mais trabalhadores, melhores horários e novas ligações ferroviárias na região.
A Direção da Organização Regional do Algarve (DORAL) do Partido Comunista Português (PCP) considera positivo o início da circulação de comboios elétricos na Linha do Algarve, mas defende que a eletrificação não elimina a necessidade de reforçar o investimento no serviço ferroviário regional.
Em comunicado divulgado esta terça-feira, dia 21 de julho, a estrutura regional do PCP afirma que a eletrificação total da linha se prolongou por mais de 20 anos e que ainda decorrem trabalhos, apesar de já circularem composições com tração elétrica, substituindo os comboios a diesel.
Para a DORAL, a conclusão da eletrificação e a entrada em serviço de material circulante reconvertido devem ser acompanhadas pela requalificação das estações e apeadeiros, tanto ao nível dos edifícios como dos sistemas de informação, dos serviços prestados e das ligações rodoviárias.
O PCP defende também o reforço do número de trabalhadores nas estações, apeadeiros, oficinas de manutenção e restantes serviços necessários ao funcionamento da ferrovia no Algarve.
A organização regional considera ainda que os novos horários devem ser avaliados em função das necessidades das populações e da mobilidade inter-regional. Apesar do aumento do número de comboios, entende que a resposta continua aquém do necessário.
A DORAL aponta como exemplo o período do meio da manhã, em que o serviço regional termina em várias estações com a introdução do Inter-Regional. Segundo o partido, este serviço deixa de fora 13 localidades entre as 30 paragens da Linha do Algarve.
A estrutura do PCP critica também a ausência de novas ligações no período noturno e considera que as ligações a Lisboa não registaram uma melhoria significativa, uma vez que os serviços Alfa Pendular e Intercidades continuam a partir apenas de Faro.
Entre as intervenções reclamadas estão a reativação da concordância de Tunes, o prolongamento das ligações Intercidades e Alfa Pendular a Vila Real de Santo António e Lagos, a ligação ferroviária ao Aeroporto de Faro e à Universidade do Algarve e a reativação do serviço regional em São Marcos da Serra.
A DORAL defende ainda o estudo e planeamento de uma ligação ferroviária de alta velocidade a Espanha e rejeita que uma ligação rodoviária ao aeroporto e à Universidade do Algarve substitua a solução ferroviária.
No comunicado, o PCP critica também a intenção que atribui ao Governo PSD/CDS de privatizar as linhas ferroviárias suburbanas de Lisboa e do Porto. A organização alerta para os efeitos que essa opção poderá ter em regiões como o Algarve e opõe-se à transferência de competências ferroviárias para as autarquias ou comunidades intermunicipais.
Para o partido, o desenvolvimento da ferrovia como opção estratégica para o país exige uma CP «una e coesa, ao serviço das populações e do país», rejeitando a sua segmentação e privatização.