A Galeria do Convento do Espírito Santo, em Loulé, inaugura a exposição «Girl, it’s not that deep», na sexta-feira, dia 17 de julho, às 18 horas.
A mostra reúne trabalhos inéditos de Beatriz Brum, Isabel Medeiros e Maria Marques Moderno, com curadoria de Jesse James. A exposição pode ser visitada até 12 de setembro, com entrada gratuita.
O projeto resulta do programa de residências artísticas da Associação Alfaia e foi desenvolvido através de um processo de investigação e criação entre Loulé, Lisboa e Ponta Delgada.
O título da exposição recupera uma expressão amplamente disseminada pela cultura digital contemporânea, frequentemente utilizada para relativizar situações, interromper obsessões momentâneas ou simplesmente colocar as coisas em perspectiva.
Foi a centenas de metros abaixo da superfície terrestre, perante uma matéria que foi outrora fundo do mar, na Mina de Sal-Gema da Campina de Cima, em Loulé, que esta «expressão adquiriu para as artistas uma ressonância inesperada, confrontando-as com temporalidades geológicas que excedem largamente a escala da experiência humana e introduzindo uma mudança de perspectiva sobre o tempo, a memória e a relação com o mundo».
A partir desta experiência comum, «Girl, it’s not that deep» reúne «propostas que exploram diferentes formas de acesso àquilo que excede a escala da experiência humana, através de processos de cristalização, práticas de proteção, cartografias afetivas e especulações cosmológicas, aproximando temporalidades geológicas, sistemas de crença, formas de cuidado e tecnologias de reequilíbrio».
Segundo a Alfaia, «num contexto marcado pela aceleração, pela produção contínua de significado e pela exigência permanente de interpretação e posicionamento, a exposição propõe um exercício de perspectiva: talvez seja precisamente por vivermos num tempo de excesso de interpretação, excesso de informação e excesso de profundidade performativa, que continuamos a procurar cristais, santos, mapas, rituais, banhos de sal e outras formas de orientação».
Beatriz Brum (Ponta Delgada, 1993) desenvolve uma prática artística que parte da luz para explorar a sua materialidade, intensidade e limite, através do desenho, da instalação, da imagem em movimento e do som. O seu trabalho constrói linguagens intuitivas e sensoriais que cruzam percepção, espaço e experiência.
Isabel Medeiros (Ponta Delgada, 1998) desenvolve uma prática multidisciplinar que atravessa a performance, o vídeo, a escultura, a instalação e a fotografia, explorando processos de memória, comunicação e transformação e investigando as relações entre corpo, imagem e espaço.
Maria Marques Moderno (Portimão, 2003) desenvolve uma prática multidisciplinar que articula objetos, imagens e palavras para explorar questões relacionadas com a memória, a perda e os sistemas de crença. O seu trabalho aproxima referências pessoais, históricas e simbólicas, criando relações entre materialidade, ritual e imaginação.
A curadoria é de Jesse James (Ponta Delgada, 1989), curador e programador cultural que desenvolve projetos curatoriais, artísticos e institucionais centrados em práticas colaborativas, ecologias sociais e formas de produção cultural situadas, trabalhando entre os Açores, Portugal continental e contextos transnacionais.
Organizada pela Alfaia – Arte e Comunidade, a exposição estará patente na Galeria do Convento do Espírito Santo, em Loulé, de 17 de julho a 12 de setembro.
O espaço pode ser visitado de terça-feira a sábado, entre as 10h00 e as 13h30 e das 14h30 às 18h00, com entrada livre.
