O Teatro de Palha regressa ao Parque Industrial da Feiteirinha, em Aljezur, para a sua quarta edição, entre 27 de junho e 26 de julho.
O espaço volta a acolher uma programação multidisciplinar com música, teatro, dança, novo circo, cinema, artes visuais e gastronomia.
Depois de um ano de interregno, a estrutura efémera promovida pela cooperativa Lavrar o Mar — feita de palha, luz, vento e noite — reúne artistas nacionais e internacionais e propõe uma reflexão sobre «o que fazemos com aquilo que pesa», a partir de temas como a memória, os afetos, os objetos, as paisagens e a passagem do tempo.
A arquitetura desta edição foi concebida por Pedro Quintela, que se inspirou na geometria da lebre-do-mar, um molusco marinho existente na região. Os movimentos graciosos e fluidos do animal inspiraram uma construção que procura evocar ideias de adaptação, regeneração e equilíbrio.
Tal como nas edições anteriores, o Teatro de Palha foi construído com o apoio dos agricultores locais e utiliza exclusivamente palha, material abundante no território nesta época do ano.
Estes «tijolos de ouro», emprestados pela terra por um curto espaço de tempo, voltam a erguer um teatro com carácter temporário, destinado a ser desmontado após o festival mas a permanecer na memória de todos.
A programação abre a 27 de junho com os Terrakota. O coletivo português apresenta um espetáculo que cruza influências afro, reggae, sonoridades balcânicas e ritmos de várias geografias, numa celebração da mistura e da liberdade.
Entre os destaques internacionais estão «Par le Boudu», de Bonaventure Gacon, referência do circo contemporâneo, «Barolosoul’O», da companhia francesa Barolosolo — uma viagem poética entre música, água e pequenos naufrágios do quotidiano —, e «People», de Claudio Stellato, espetáculo que combina dança, novo circo e artes visuais num universo entre caos, humor e humanidade.
O Teatro de Palha recebe também a Orquestra do Algarve, sob direção de Martim Sousa Tavares, para uma apresentação dedicada ao cinema mudo a partir de The General, de Buster Keaton. O encerramento estará a cargo da Orquestra de Jazz do Algarve, com o concerto «Caribe Libre», uma viagem pelos ritmos afro-caribenhos que deram origem ao Latin Jazz.
A gastronomia integra novamente a programação através de «400 gramas para partilhar – Uma ode à convivialidade», criação da companhia belga Laika – Théâtre des Sens, com participação do Turak Théâtre. Cada participante leva 400 gramas de ingredientes, que serão transformados numa refeição coletiva, tornando o cozinhar e o comer gestos de encontro e partilha.
O cinema regressa com o ciclo «Paisagens da Memória e do Futuro», com curadoria de Candela Varas. Entre 28 de junho e 23 de julho serão exibidos seis filmes que atravessam diferentes geografias emocionais, políticas e artísticas: «One to One: John & Yoko», de Kevin Macdonald, «Arco», de Ugo Bienvenu, «O Agente Secreto», de Kleber Mendonça Filho, «Um Poeta», de Simón Mesa Soto, «A Pequena Amélie», de Maïlys Vallade e Liane-Cho Han, e «Orlando Pantera», de Catarina Alves Costa.
Pela primeira vez, o Teatro de Palha apresenta um programa dedicado às famílias, convidando crianças e adultos a descobrir o espaço através de propostas onde a imaginação é uma forma de olhar o mundo.
O programa reúne «Abraço», de Berna Huidobro, «Arco», de Ugo Bienvenu, «Chão de Meninos», de Madalena Victorino e convidados, «A Pequena Amélie», de Maïlys Vallade e Liane-Cho Han, e «Mundo dos Mundos», de Madalena Victorino, Matilde Tudela, Francisca Poças e Susana Vilar. São histórias sobre crescer, perder medos, cuidar, imaginar e descobrir que tudo está em permanente transformação — as pessoas, a natureza, os objetos e até os mundos que ainda estão por vir.
Durante todo o festival estará patente a exposição «10 anos | 134 cartazes», dedicada a uma década de criação gráfica da Lavrar o Mar, com assinatura da 1000olhos, transformando o espaço num arquivo vivo de memórias, projetos e encontros.
O programa completo e a bilheteira estão disponíveis aqui.