Projeto de Loulé leva uma ferramenta que permite às árvores urbanas «comunicar» com os cidadãos a um festival europeu.
O projeto «As Árvores Na Nossa Cidade», desenvolvido pelo município de Loulé e pelo CEiiA, integra o programa Al-Bauhaus: Dream Academy do New European Bauhaus Festival, que decorre nos dias 11 e 12 de junho, em Faro, levando ao certame europeu uma ferramenta que permite medir e comunicar os benefícios das árvores urbanas.
A presença no festival constitui um reconhecimento do trabalho desenvolvido em Loulé na área da sustentabilidade urbana e da ação climática. A apresentação pública do projeto está marcada para 12 de junho, às 11h00, no Campus da Penha da Universidade do Algarve (UAlg).
Para Gualter Crisóstomo, diretor executivo do Digital Innovation Hub For Climate Neutrality do CEiiA, «a presença do projeto no festival europeu constitui um importante reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido pela parceria, em Loulé, posicionando o território como uma referência na implementação de soluções inovadoras para a sustentabilidade urbana».
O responsável considera que esta distinção confirma a capacidade do território para desenvolver e testar soluções com impacto real na vida das pessoas, reforçando o compromisso do CEiiA com a inovação, a sustentabilidade e a construção de cidades mais inteligentes, resilientes e preparadas para os desafios do futuro.
O projeto procura aproximar os cidadãos da natureza através da tecnologia, do conhecimento científico e da participação comunitária.
No centro da iniciativa está uma plataforma digital que permite às árvores urbanas «comunicar» com os cidadãos, tornando visível o seu contributo para a qualidade de vida, para a neutralidade carbónica e para a adaptação às alterações climáticas.
A ferramenta permite quantificar e comunicar o contributo das árvores urbanas para o sequestro e armazenamento de carbono, a redução das temperaturas extremas, a mitigação dos efeitos das ondas de calor, a interceção da precipitação, a redução do escoamento superficial e a mitigação dos impactes das cheias urbanas.
A plataforma evidencia ainda a capacidade das árvores para produzir oxigénio e remover poluentes atmosféricos, como o monóxido de carbono, o ozono, o dióxido de azoto, o dióxido de enxofre e partículas finas, tornando visível um conjunto de serviços ecossistémicos que contribuem para a qualidade de vida e para a resiliência climática das cidades.
«O desafio da neutralidade carbónica exige que consigamos transformar conhecimento científico em ferramentas úteis para as pessoas. Este projeto demonstra como a tecnologia pode ajudar os cidadãos a compreender melhor o valor dos ecossistemas urbanos e a importância das árvores para a qualidade de vida nas cidades», afirma Manuela Moreira da Silva, investigadora do CEiiA e professora da UAlg.
Para a investigadora, o projeto é mais do que uma ferramenta tecnológica, assumindo-se também como uma iniciativa de literacia climática destinada a fortalecer a relação entre os cidadãos e o património natural urbano.
Já de acordo com Telmo Pinto, presidente da Câmara Municipal de Loulé, a iniciativa representa mais um passo numa estratégia de longo prazo orientada para a sustentabilidade, a inovação e o envolvimento da comunidade.
«Queremos que cada cidadão reconheça as árvores como uma infraestrutura essencial da cidade. Ao tornar visíveis os benefícios que proporcionam diariamente, estamos também a promover uma maior consciência ambiental e uma participação mais ativa na construção de um território mais sustentável», afirma o autarca.
Telmo Pinto considera ainda que a presença do projeto num festival europeu dedicado à inovação e sustentabilidade urbana constitui uma oportunidade para partilhar a experiência desenvolvida em Loulé e demonstrar como a tecnologia pode acelerar a ação climática à escala local.