Fundos europeus do ALGARVE 2030 vão apoiar 15 PME de turismo do Algarve na adoção de inteligência artificial (IA) e robótica para acelerar a inovação no setor.
A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve promoveu a primeira reunião da Plataforma de Inovação e Colaboração (PIC) dedicada ao turismo, centrada nos desafios e oportunidades da inovação no setor, no Algarve, a 18 de março.
A iniciativa integra a Estratégia Regional de Especialização Inteligente (EREI), que orienta as prioridades de inovação e desenvolvimento económico da região.
A sessão de abertura contou com intervenções do vice-presidente da CCDR Algarve, Cristiano Cabrita, do presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), André Gomes, da vice-reitora da Universidade do Algarve, Patrícia Pinto, e da diretora da Unidade de Planeamento e Desenvolvimento Regional da CCDR Algarve, Lurdes Serpa Carvalho.
Cristiano Cabrita sublinhou a importância de uma abordagem estratégica no atual ciclo de programação europeia 2021-2027 e destacou o papel da EREI e do turismo na competitividade e sustentabilidade da região.
André Gomes referiu o reconhecimento do Algarve como destino de confiança no estudo «Marcas de Confiança 2026» e destacou a afirmação internacional da região, sustentada na inovação, no conhecimento e na sustentabilidade.
Patrícia Pinto destacou o papel da Universidade do Algarve (UAlg) na articulação entre investigação, empresas e administração pública, apontando a instituição como motor do desenvolvimento regional, em particular no setor do turismo.
A primeira parte do encontro centrou-se no papel crescente das tecnologias digitais e verdes na atividade turística regional.
Na comunicação «Estado da Arte das Tecnologias Aplicadas ao Turismo», o presidente da Algarve Evolution, Joaquim Nascimento, destacou o impacto emergente da inteligência artificial, em particular da chamada «IA agêntica», capaz de executar autonomamente tarefas como pesquisa, comparação e reserva de serviços turísticos.
O responsável alertou para a necessidade de adaptação das empresas e recomendou a preparação dos canais digitais para interação direta com sistemas de inteligência artificial, que poderão assumir parte da procura e comparação de ofertas turísticas.
Durante a sessão foi também apresentado um projeto apoiado pelo Programa Regional ALGARVE 2030 que prevê apoiar 15 pequenas e médias empresas (PME) do setor turístico através de diagnósticos de maturidade digital e planos de ação personalizados, com o objetivo de integrar soluções de inteligência artificial e robótica.
O encontro incluiu ainda um painel dedicado aos desafios da sustentabilidade e da resiliência do destino Algarve.
Na comunicação «Inovação e Resiliência no Turismo», Hugo Pinto, investigador do Centro de Investigação em Turismo, Sustentabilidade e Bem-Estar (CinTurs) e docente da Universidade do Algarve, alertou que o atual sucesso turístico da região pode ocultar vulnerabilidades estruturais, nomeadamente a dependência de fatores externos como a procura internacional e os ciclos económicos.
O investigador defendeu que a resiliência deve ir além da capacidade de recuperação e implicar uma transformação do modelo económico regional. Destacou também a importância da diversificação económica, da inovação e da articulação entre empresas, universidades e políticas públicas.
As mesas-redondas, moderadas por Aquiles Ribeiros, vogal do Programa Regional ALGARVE 2030, e por Duarte Padinha, da RTA, sublinharam a importância de um ecossistema regional de inovação colaborativo e da transição para modelos de turismo mais sustentáveis e regenerativos.
Este conceito propõe uma abordagem que ultrapassa a mitigação de impactos e procura valorizar os destinos através da regeneração de ecossistemas, do reforço das comunidades locais e da valorização do património.

