Sindicato da Hotelaria do Algarve aprovou reivindicações para 2026, incluindo aumentos salariais, redução do horário e valorização das carreiras.
Os trabalhadores do sector do turismo no Algarve aprovaram um conjunto de reivindicações laborais para 2026, durante uma assembleia-geral realizada na quarta-feira, segundo comunicado do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Algarve, divulgado, 19 de dezembro de 2025.
Entre as principais exigências aprovadas estão um aumento geral dos salários em 15%, com um mínimo de 150 euros, a fixação do salário mínimo nos 1.050 euros a partir de 1 de janeiro de 2026, a redução do horário semanal para 35 horas sem perda de remuneração e a rejeição da desregulação dos horários de trabalho.
Em comunicado, o sindicato refere que as reivindicações surgem num contexto de contestação às propostas de alteração ao Código do Trabalho em discussão a nível nacional, considerando que essas mudanças representam um retrocesso nos direitos laborais. A estrutura sindical aponta ainda a greve geral de 11 de dezembro como um sinal de rejeição das políticas governamentais nesta matéria.
O sindicato sublinha o contraste entre os resultados da indústria turística e as condições de trabalho dos profissionais, numa sector que é o principal empregador privado no Algarve e concentra uma parte significativa da população ativa da região.
De acordo com dados citados do Turismo de Portugal, as receitas turísticas deverão crescer cerca de 6% em 2025, atingindo um novo máximo histórico próximo dos 30 mil milhões de euros, superando os 27,7 mil milhões registados em 2024.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que, até outubro, o número de hóspedes nos estabelecimentos de alojamento turístico aumentou 3,1%, para cerca de 28 milhões, enquanto as dormidas cresceram 2,2%, para 73 milhões. Já os proveitos totais registaram um aumento de quase 8%, para 6,4 mil milhões de euros.
Segundo o sindicato, este crescimento tem sido mais expressivo nos proveitos do que no volume de hóspedes, o que considera refletir uma maior apropriação da riqueza criada por parte das entidades patronais, enquanto muitos trabalhadores enfrentam baixos salários, horários longos e dificuldades na conciliação entre a vida profissional e familiar.
Além dos aumentos salariais, as reivindicações aprovadas incluem a valorização do subsídio de alimentação, do abono para falhas e do prémio de línguas, a garantia de dois dias de folga consecutivos pelo menos uma vez por mês, o direito a 25 dias úteis de férias sem dependência da assiduidade, a progressão automática na carreira a cada três anos e a criação de um regime de diuturnidades.
O sindicato adianta que pretende apresentar estas propostas ao patronato do sector e intensificar a ação sindical em 2026, defendendo uma distribuição mais equilibrada da riqueza gerada pelo turismo no Algarve.