Projeto MUCH Lagos pretende valorizar o património subaquático de Lagos com investigação, registo de artefatos e roteiros acessíveis que envolvem a comunidade.
Inventariar, conservar e valorizar o património arqueológico marítimo e subaquático na costa de Lagos, são os objetivos do projeto «MUCH Lagos» apresentado nesta cidade algarvia, para ajudar a compreender a evolução da paisagem marítima, na sexta-feira, dia 28 de novembro.
«A ideia não é propriamente descobrir artefactos ou novos sítios arqueológicos, mas sim, trabalhar um pouco com o que já conhecemos, porque o nosso principal objetivo é tentar perceber a evolução da paisagem», disse à Lusa o investigador Gonçalo Lopes.
Coordenado pelos arqueólogos marítimos Gonçalo Lopes e Joana Baço, a pesquisa do MUCH Lagos centra-se no mapeamento e estudo do património cultural subaquático no concelho de Lagos, no distrito de Faro, e de como este pode constituir um motor de desenvolvimento social, cultural e económico.
Iniciado em 2024, o projeto permitiu localizar e identificar cerca de 95 artefactos das mais variadas espécies, na sua maioria âncoras de ferro e de pedra, cuja data não está definida», referiu o investigador.
Natural de Lagos e conhecedor do «valioso espólio subaquático acumulado ao largo de Lagos ao longo dos milénios», Gonçalo Lopes quer dar a conhecer à população «toda a riqueza que está no fundo do mar».
«Aquele património é de todos, daí querermos criar dois roteiros subaquáticos, um físico para mergulhadores e outro filmado, para quem não é mergulhador possa ter acesso o mais perto possível e que possa ver a realidade que nós vemos», apontou.
O investigador adiantou que a «ideia é fornecer à população mais informação e conhecimento sobre o seu passado comum, conjugando a parte do património com a da vida marinha, da biologia, fauna e flora locais».
Ao mesmo tempo, referiu, pretende-se manter «uma colaboração com toda a comunidade, tornando-a no principal agente de proteção e promoção deste recurso finito e não renovável».
Numa outra fase do projeto, está previsto «confrontar o que existe no fundo do mar com as fortificações existentes em terra, na zona de costa, para se ter uma ideia melhor da evolução da paisagem no concelho de Lagos».
O trabalho incide apenas «na prospeção, não integra escavações, ficando os objetos identificados, na sua maioria, no fundo do mar», notou.
Para a exploração, inspeção e registo dos artefactos no fundo do mar são utilizadas ferramentas tecnológicas como um veiculo subaquático não tripulado e operado remotamente (ROV), combinados com óculos de realidade virtual.
São efetuados registos fotogramétricos e animações em vídeo, bem como modelos em três dimensões texturados, manobráveis e impressos para tornar o património subaquático acessível à comunidade cega, concluiu Gonçalo Lopes.
O MUCH Lagos – Património Cultural Marítimo e Subaquático de Lagos foi aprovado pelo Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), do Património Cultural, a tutela e organização responsável pelo património cultural subaquático de Portugal continental.
O projeto está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da UNESCO para 2030 e com os princípios e as orientações da Convenção da UNESCO para a Proteção do Património Cultural Subaquático.