Faro avança com obras faseadas, redes separativas e intervenções urgentes para resolver inundações em 16 zonas críticas da cidade.
O município de Faro avança com uma estratégia para resolver as 16 zonas mais críticas de inundação da cidade, identificadas após vários episódios de cheias que têm marcado o concelho nos últimos anos.
A decisão surgiu na sequência de uma visita técnica realizada a 8 de novembro aos pontos de maior risco, liderada pela vice-presidente Valentina Calixto, com o professor Poças Martins, técnicos da FAGAR e da Agência Portuguesa do Ambiente.
O grupo avaliou locais onde as inundações ocorrem de forma repetida sempre que há precipitação intensa, como a Rua de São Luís, a Baixa de Faro e eixos de ligação adjacentes.
Entre as prioridades está a substituição das redes unitárias, onde pluviais e residuais correm juntas, por redes separativas, solução considerada essencial para impedir sobrecargas no sistema de drenagem e evitar impactos na qualidade da água da Ria Formosa. Moradores destas zonas têm reportado maus cheiros e infestações após episódios de chuva.
A autarquia prepara uma candidatura a fundos comunitários, com o apoio do Fundo Ambiental, para reforçar o orçamento municipal e garantir a execução das obras.
A auarquia já tinha admitido a necessidade de investimentos entre quatro e cinco milhões de euros para refazer condutas e reforçar a capacidade de drenagem, sobretudo na Baixa e no eixo de São Luís.
O histórico recente justifica a urgência. A 29 de outubro de 2025, o IPMA colocou o distrito sob aviso vermelho devido a chuvadas intensas que voltaram a submergir a Rua de São Luís, com várias lojas e viaturas afetadas e dezenas de ocorrências registadas pelos bombeiros, tal como o barlavento noticiou.
A 17 de outubro de 2023, a cidade voltou a parar com inundações em várias artérias e condicionamentos no Aeroporto de Faro, após cerca de uma hora de precipitação intensa.
Em dezembro de 2022, outra chuvada forte inundou zonas da Baixa e do centro histórico, causando prejuízos superiores a dois milhões de euros em estabelecimentos comerciais e condicionamento de trânsito, tal como o nosso jornal reportou.
Estes episódios repetem-se porque Faro tem zonas baixas com capacidade de escoamento limitada, sobretudo onde ainda subsistem redes unitárias e onde o sistema de drenagem é insuficiente.
A cartografia oficial do Plano de Gestão dos Riscos de Inundação 2022–2027, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), já classifica várias zonas da cidade como áreas inundáveis e define cenários de cheia para diferentes períodos de retorno, o que reforça a necessidade de intervenção estruturada. A memória recente inclui ainda galgamentos costeiros que afetaram sistemas da Ria Formosa no início da década passada.
O município de Faro iniciou agora um período de trabalho com prazo previsto de dois meses para avaliar tecnicamente o projeto já existente para uma das ocorrências, identificar medidas de minimização urgentes e estabelecer uma calendarização faseada para resolver todos os pontos críticos.
A estratégia prevê resolver com celeridade os episódios de inundação e avançar, em paralelo, com a implantação da rede separativa.
Segundo a Câmara de Faro, a intervenção pretende «dar resposta a um dos principais problemas que afetam a cidade» e reduzir a vulnerabilidade a cheias que, pela tendência observada nos últimos anos, têm ganho maior frequência e impacto. O plano procura ainda resolver problemas de saúde pública associados às redes unitárias e estabilizar a cidade perante episódios de precipitação intensa.
Foto: Bruno Filipe Pires
