O Zoomarine, com o apoio da Marinha, devolveu ao oceano mais uma tartaruga-marinha, a Wave, que chegou ao centro com sinais de desidratação e ingestão de plásticos.
O Porto d’Abrigo do Zoomarine devolveu ao oceano mais uma tartaruga-comum (Caretta caretta), na sexta-feira, dia 18 de julho, após dois meses de intensos cuidados e reabilitação.
A operação decorreu a bordo do NRP Sagitário, da Marinha Portuguesa, sob o comando do Primeiro-tenente Mira Pinhão, que partiu do Ponto de Apoio Naval de Portimão.
A protagonista desta devolução foi a Wave, uma tartaruga juvenil resgatada a 14 de maio de 2025 por populares, que contactaram a Rede de Arrojamentos da Região de Lisboa e Vale do Tejo (RALVT), que por sua vez a entregou aos cuidados do Porto D’Abrigo do Zoomarine.
A Wave chegou com problemas de flutuabilidade e desidratação, sintomas que os exames clínicos associaram à ingestão de plásticos, uma das principais ameaças à vida marinha.
Ao longo do processo de reabilitação, foram excretados vários fragmentos de plástico, sublinhando o impacto real da poluição marinha nos ecossistemas. Nas primeiras 24 horas, foi submetida a oxigenoterapia para prevenção da doença de descompressão. Manteve flutuação anormal nos primeiros dias, mas mostrou sempre um forte apetite e, com o tempo, voltou a mergulhar e a alimentar-se no fundo da piscina de recuperação.
Dos 9,8 quilogramas (kg) e 39 centímetros (cm) de comprimento de carapaça registados à chegada do Porto d’Abrigo, Wave recuperou para 11,6 kg e 41,9 cm, apresentando todas as condições clínicas e comportamentais para o seu regresso ao mar.
A devolução decorreu a cerca de 12 milhas náuticas da costa de Portimão, fora da zona de maior esforço de pesca, minimizando riscos para a tartaruga.
Para possibilitar a sua identificação futura, a tartaruga-marinha foi equipada com anilhas nas barbatanas anteriores e um microchip, garantindo a identificação mesmo após a eventual perda das anilhas com o crescimento do animal ou erosão da água salgada.
A ação contou com o apoio da Marinha Portuguesa, e com a presença do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), «entidades cruciais» na missão de conservação marinha do Zoomarine.
Esta devolução reforça o compromisso contínuo do Zoomarine com a preservação da biodiversidade marinha, sendo o Porto d’Abrigo o primeiro centro de reabilitação de espécies marinhas em Portugal, criado em 2002.