O Museu de Vila do Bispo – Celeiro da História foi hoje inaugurado no âmbito das comemorações do dia do município.
Numa cerimónia que teve lugar na manhã de hoje, Rute Silva, presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo e explicou que o novo Museu de Vila do Bispo – Celeiro da História está instalado nos celeiros da antiga Federação Nacional de Produtores de Trigo, que foram construídos na década de 1950, entraram depois em desuso e foram agora transformados num edifício cultural, que conta também com loja, cafetaria, esplanada, auditório com capacidade para 50 pessoas e centro de documentação.
«Integrado no perímetro urbano da vila, persistia um edifício que mereceu pela sua importância no passado e potencial no presente, ser revalorizado enquanto inédito equipamento sociocultural para o futuro. Os celeiros da extinta Federação Nacional dos Produtores de trigo, empresa pública de abastecimento de cereais, foram originalmente construídos na década de 1950 para armazenamento do cereal dos produtores locais no âmbito da campanha do trigo estratégia agrícola nacional, iniciada em 1929. Passados cerca de 70 anos, a Câmara Municipal propor-se dignificar o antigo edifício, reabilitando esta emblemática arquitetura de arqueologia industrial num renovado equipamento sociocultural», disse aos presentes.
Com o trabalho de arquitetura da empresa Spaceworkers, do arquiteto Henrique Marques e sua equipa, foi preservado na íntegra a marcante arquitetura pré-existente. Este novo espaço museológico inclui uma narrativa expositiva interpretativa acerca da herança coletiva do concelho de Vila do Bispo desde a sua fundação geológica aos paleontológicos icnofósseis de incríveis dinossauros, aos mais remotos vestígios culturais da presença humana, identificados pela arqueologia. Passando pela História pelos acontecimentos e personagens, pela arqueologia subaquática dos naufrágios e das batalhas navais, Pela riqueza e singularidade da biodiversidade local e claro, pela memória Etnográfica das gentes do cabo e da sua mística Finisterra de mar feita», descreveu a autarca.
«Além de um diferenciado percurso museológico produzido em articulação com a empresa Glorybox e de um dedicado serviço educativo, o Museu de Vila de bispo – Celeiro da História oferece um auditório, esplanada um centro de documentação loja produzida pela empresa Mapa de Ideias. Tudo tendo em conta os princípios de acessibilidade. Sede de investigação, conservação, valorização e divulgação do riquíssimo e particularmente diversificado património local, o Museu de Vila de Bispos celeiro da História assume-se como um projeto participativo e inclusivo», frisou.
Rute Silva referiu-se ainda à escultura «o abraço» de Teresa Paulino, que se encontram à nossa entrada do Museu «e que pretende simbolizar o acolher da comunidade de Vila do Bispo a todos os que visitam este espaço».
O projeto contou cofinanciamento europeu, na ordem dos 70 por cento, através do programa Operacional Regional do Algarve CRESC Algarve 2020, através de com um apoio de cerca de 1,9 milhões, numa obra cujo custo total foi de 2,9 milhões de euros.
«Este projeto só foi possível com a colaboração de muitas pessoas que, ao longo de cerca de oito anos, o pensaram e repensaram para que hoje seja possível orgulhosamente estarmos aqui, nomeadamente consultores científicos, arquitetos, investigadores, museólogos, doadores, funcionários do município, nos quais tenho que destacar a equipa do Museu, e em particular o arqueólogo Ricardo Soares, por todas as horas de dedicação e de empenho profissional e pessoal», agradeceu Rute Silva.

Em relação ao percurso expositivo «começamos com a questão da geologia, passamos pela paleontologia, porque temos a questão dos fósseis e dos dinossauros da [Praia da] Salema, depois começamos com os vestígios culturais da presença humana identificados pela arqueologia, não só em Vale do Boi, que é muito rico em escavações e onde foi feito muito trabalho [sobre o período neolítico], mas também a arqueologia subaquática, com os naufrágios e as batalhas navais que ocorreram ao longo das nossas costas», detalhou.
Rute Silva indicou que pode também ser visto «muito material da Boca do Rio, da parte da romanização», e das Idades do Ferro e do Bronze, mas o espólio abrange também «um contexto mais atual», debruçando-se sobre a etnografia local.
O objetivo é também mostrar «aquilo que é efetivamente o concelho hoje em dia, com a questão da pesca, da agricultura e a relação com as pessoas», assinalando a «riqueza destas memórias etnográficas», justificou.
Com a criação do novo Museu, a autarquia quer também «criar uma rede» que permita a circulação de pessoas entre os vários pontos de interesse cultural do concelho, como o Centro de Interpretação de Vila do Bispo, que o município quer renovar, o Centro de Interpretação da Lota e a Fortaleza de Sagres ou o Forte do Beliche, disse a presidente.
«A ideia é criarmos uma rede que permita aos visitantes e aos locais terem acesso à cultura do nosso território e ter mais pontos de interesse. Temos muito turismo que visita a fortaleza anualmente e queremos fazer o desvio de parte destas pessoas para que comecem a visitar este edifício» na sede de concelho, afirmou.
O Museu de Vila do Bispo – Celeiro da História foi inaugurado hoje, numa cerimónia integrada nas comemorações do dia do em que se assinala no dia de São Vicente, a 22 de janeiro, e dirigida às entidades oficiais, na qual foi descerrada uma placa alusiva ao evento pela autarca e pelo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, José Apolinário, uma vez que a presença de Ana Abrunhosa, ministra da Coesão do território, inicialmente sido prevista, não foi possível devido ao atual contexto político. Esteve também presente Nuno Bicho, vice-Reitor da Universidade do Algarve (UAlg).
Amanhã haverá uma segunda inauguração, dirigida a todos os que queiram conhecer o espaço, que será uma festa para toda a comunidade, com a presença de doadores de peças que integram o espólio museológico, antecipou Rute Silva, apelando para a participação de todos os interessados.
Fotos: João Lázaro/ barlavento









