Durante nove dias, Olhão será palco de diversas iniciativas ligadas à sétima arte. Serão 34 projeções de filmes, 14 dos quais em estreia nacional, divididos em três ciclos temáticos, uma competição oficial e sessões especiais (special screenings).
A apresentação do primeiro Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão (FICLO) teve lugar na manhã de terça-feira, 19 de janeiro, no Auditório Municipal, aliás um dos palcos privilegiados do evento, organizado pelo Cineclube de Tavira, com o apoio da Câmara Municipal de Olhão e do programa «365 Algarve».
A concurso serão apresentados 10 filmes, nunca distribuídos comercialmente em Portugal, que serão alvo de avaliação por parte de um júri.
Por outro lado, os ciclos estão divididos em três categorias: «País convidado», no qual serão apresentadas seis produções suecas dirigidas a um público mais jovem; «Realizadoras», com nove filmes da cineasta, roteirista e atriz ucraniana Kira Muratova; e «Obra Criativa» no qual, três filmes mudos, escolhidos por três escritores portugueses (Gonçalo M. Tavares, Alexandra Lucas Coelho, Nuno Moura e Candela Varas), serão apresentados com diálogos escritos pelos mesmos.
Nas sessões especiais (special screenings) serão exibidas sete longas-metragens.
A comissária do «365 Algarve», Anabela Afonso admitiu ter «uma enorme expetativa», já que «pôr em diálogo o universo da literatura e do cinema é muito interessante. Acredito que estes dois universos juntam as áreas mais ricas que podem haver no mundo artístico».
Além da projeção de filmes, que irá decorrer no Auditório Municipal, na Associação Cultural Re-Criativa República 14 e na Sociedade Recreativa Progresso Olhanense, o FICLO apresentará masterclasses, oficinas, instalações, performances em formato super 8, declamações e passeios fílmicos.
A abertura será um dos momentos mais icónicos, uma vez que será apresentado um menu especial, pelo chef Adérito Almeida.
Após visualizar o filme «The Gentle Indiffference of the World», de Adilkhan Yerzhanov (2018), o chef preparará uma proposta gastronómica inspirada no que viu. A receita será dada a provar a todos os presentes.
Outro momento alto será uma masterclass a bordo de um barco movido a energia solar, da marca algarvia «Sunconcept», que em breve terá novos estaleiros no Porto de Pesca de Olhão.
Durante a apresentação, Anabela Afonso explicou ainda o porquê do FICLO integrar o calendário daquela programação de época baixa.
«Um dos motivos pelos quais escolhemos apoiar esta proposta é o facto de querermos mostrar que no Algarve pode existir também atração turística a nível cultural», disse.
Uma linha de pensamento corroborada por António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão. «O nosso destino de sol e praia é cada vez menos competitivo. Precisamos de ter algo que nos diferencia. E isso é o que estamos a semear. Somos um destino de praia, sol, segurança, e também de eventos culturais de qualidade», referiu o autarca.
O FICLO traz ainda a Olhão cinco convidados internacionais: Adilkhn Yerzhanov, realizador do Cazaquistão; Pella Kagerman e Hugo Lilja, realizadores suecos; Boris Mitic, realizador da Sérvia; Václav Kadrnka, realizador da República Checa e o crítico espanhol Javier Tolentino.
Segundo explicou Débora Mateus, do Cineclube de Tavira, o festival «destaca-se por ser um projeto pioneiro na região, singular a nível nacional e raro a nível europeu», uma vez que «não estamos à procura de ter um festival de adaptações» de obras literárias ao mundo da sétima arte, «mas de outro tipo de simbioses».
Desta forma, o espetador poderá vivenciar «uma experiência cinematográfica específica», já que em alguns filmes «apenas se identificam estruturas narrativas» dos livros que as inspiraram, e noutras, «são apenas pressentidas ao de leve».
Segundo garantiu Candela Varas, presidente do Cineclube de Tavira, as produções a exibir durante o FICLO dialogam e exploram «direções diferentes».
«Por exemplo, os filmes da Murakova têm todos Tolstoy como inspiração, mas há outros que, por si só, já são considerados poemas. Ou seja, não procuramos necessariamente relações diretas com a literatura, mas também o que nós sentimos ao ver um filme», sublinhou.
Durante o FICLO, haverá, ainda, uma rota cultural, que levará os participantes num passeio fílmico em tuk tuk a locais da região que foram palco de rodagem de filmes de cineastas icónicos, como Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Teresa Villaverde, ou Tony Gatlif.
Em termos de bilheteira, a entrada para os filmes a exibir no Auditório Municipal de Olhão custará 4 euros e 3 euros nos restantes locais. Todo o programa pode ser consultado na página de facebook oficial do FICLO.