«A ideia é estar o mais próximo possível do local do incidente e, ao mesmo tempo, fazer uma triagem de atuações urgentes ou não. É uma importante forma de aliviar as outras unidades de saúde e não sobrecarregar o sistema. Só no ano passado, foram assistidas 10 mil pessoas nos postos de praia, ou seja, menos 10 mil atendimentos nas urgências», explicou João Moura dos Reis, presidente do conselho diretivo da Administração Regional de Saúde do Algarve ao «barlavento».
Este verão, «no total, temos 32 postos fixos de saúde de praia com enfermeiros contratados, coordenados pela Cruz Vermelha. Um investimento de mais de 200 mil euros», evidenciou, durante uma visita de campo ao posto de saúde da Praia na Falésia (Rocha Baixinha), entre Albufeira e Vilamoura.
Cada posto de saúde de praia tem um enfermeiro permanente, entre as 10h30 e as 19h30, e a rede vai estar operacional até 18 de setembro.
Contudo, Ana Pinto, enfermeira responsável na Falésia, refere que «é frequente reencaminhar casos. Proporcionamos os primeiros socorros básicos, no entanto, se for necessária uma sutura, ou se houver suspeita de fratura encaminhamos ou para o centro de saúde ou para o hospital», explica.
E o pior ainda estará por vir. De acordo com a experiência desta profissional, «em setembro as ocorrências são de maior gravidade devido ao turismo sénior. Surgem mais doenças súbitas, quedas e situações ligadas ao mar». Num dia agitado, a enfermeira chega a efetuar cerca de 20 atendimentos, apesar do pico da época alta já ter passado.
Até agora, neste posto, a situação mais complicada que surgiu este verão foi «uma suspeita de lesão medular devido a um mergulho mal executado por um jovem espanhol de 21 anos, que acabou por ser reencaminhado diretamente para Faro».
A taxa aplicada à consulta de enfermagem nestes postos é de quatro euros, acrescida de outras taxas de serviços que sejam necessários como aplicação de injeções, pensos, avaliação dos sinais vitais ou da tensão arterial, ou extração de pontos ou agrafes.
Em julho, foram registados um total de 3553 atendimentos, disponibilizados ao longo da costa algarvia, no âmbito deste plano de verão 2016. Já na primeira quinzena de agosto foram registados um total de 2668 atendimentos. Os postos de saúde de praia com maior número de atendimentos registados durante este período foram os de Monte Gordo, Manta Rota, Armação de Pêra, Praia dos Tomates e Ilha da Armona.
Moura dos Reis adiantou ainda ao «barlavento» que «em breve, vamos passar a ter em pleno um sistema informatizado que permite o acesso à ficha do utente e ao seu historial clínico. O teste será feito ainda este verão e deverá estar em pleno funcionamento já no próximo ano».
Peixe-aranha não dá tréguas aos banhistas
Durante a primeira semana de agosto foram realizados 1360 tratamentos, 717 atendimentos devido a picadas de peixe–aranha e insetos, 293 medições de pressão arterial, 156 para administrar injeções e 97 para realizar testes de glicemia, e 45 encaminhamentos para outras unidades de saúde.