A falta de enfermeiros no Serviço de Urgência Básica (SUB) de Albufeira está a levar à redução do número de enfermeiros em alguns turnos, segundo denunciou o Delegação algarvia do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), na sexta-feira, 5 de agosto, em nota de imprensa.
«Onde deveriam estar três, passaram a estar muitas vezes dois. Já em Loulé, de uma equipa de 16, apenas estão a trabalhar sete. As escalas estão feitas com 20 turnos por preencher em Loulé e 30 em Albufeira. Tudo isto numa altura em que aumenta o afluxo de utentes. Albufeira pode chegar aos 210 atendimentos por dia, e Loulé cerca de 160».
De acordo com estes profissionais, «as consequências são visíveis nas longas horas de espera para atendimento e no aumento da insatisfação e situações de conflito dos utentes.Os enfermeiros referem estar a fazer os possíveis e os impossíveis para manter os serviços abertos. Estão a trabalhar muito para além do limite. Quando deveriam realizar no máximo 140 horas num mês, estão a realizar perto de 200 horas. Os períodos de descanso são reduzidos. Trabalham muitos dias sem folgar, fazem turnos seguidos e há quem descanse apenas quatro horas num período de 24 horas», lê-se na nota enviada às redações.
A equipa lança um alerta: «devido ao elevado número de horas extraordinárias (cerca de 800 em Loulé e 400 em Albufeira), aumentam os níveis de exaustão física e mental, assim como o risco de erro. Os enfermeiros apelam à população para traduzir a sua insatisfação pelos meios próprios. A agressividade contra quem trabalha e faz um esforço sobre-humano para poder dar resposta aos utentes que ali acorrem, em nada contribui para melhorar a situação, antes pelo contrário. Desespero e frustração são sentimentos de quem clama pela admissão urgente de mais colegas para estes Serviços de Urgência Básica», conclui o SEP.