A concelhia do Partido Social Democrata (PSD) de Portimão questiona se a presidente da Câmara Municipal local, Isilda Gomes, denunciou as «medidas criminosas na saúde» ao Ministério Público.
Aquele partido da oposição, em nota de imprensa, enviada na segunda-feira, 27 de junho, considerou que deveria tornar pública uma posição, após ter analisado a entrevista que a autarca portimonense concedeu ao «barlavento», na edição de 23 de junho.
Ao ser questionada pelo jornal sobre a sua recondução ao Secretariado Nacional do PS, e em resposta a várias questões, a edil emitiu a sua opinião sobre temas como a saúde no Algarve, as obras na EN125 e as portagens na A22 e sobre os projetos futuros para o concelho.
A afirmação da presidente de que foram tomadas medidas, na área da saúde, que considera «criminosas», bem como que, «na altura, em que determinadas decisões foram tomadas, certas pessoas que exerciam funções públicas relevantíssimas na área da saúde, não tenham assumido publicamente o seu desacordo e se tenham calado. Se, na altura, certa tivessem falado, talvez hoje não fosse necessário recorrer a ‘salvadores da pátria», levou o PSD local a questionar a edil se fez alguma denúncia ao Ministério Público, «conforme se lhe exige nos termos do disposto no artigo 242º CPP».
Isilda Gomes refere na entrevista ao «barlavento», que tem esperança que quem tomou as medidas seja «politicamente julgado por aquilo que fez com a saúde na região». Seguindo este raciocínio, a autarca evidencia que estão a ser revertidas «as decisões tomadas no passado recente», argumentando até que o adjetivo «criminoso» pode parecer excessivo.
Ainda assim, justificava a sua opinião interrogando o que seria possível dizer de um «conjunto de medidas», cujo objetivo foi diminuir a qualidade da assistência médica a uma parte da população, isto «depois de um Tribunal ter dado razão à providência cautelar interposta» pela autarca. Até porque, Isilda Gomes foi a única a tomar uma medida concreta, recorrendo ao Tribunal para colocar uma providência cautelar contra a fusão do Centro Hospitalar do Algarve, justificando com o que esta medida iria prejudicar a população.
O PSD de Portimão quer também saber que medidas a autarca tomou no sentido de serem suspendidas as portagens na A22, enquanto decorrem as obras na EN125. E «lamenta que sobre problemas e atuações que são da responsabilidade direta da presidente, a mesma não preste declarações, conceda entrevistas ou esclareça os portimonenses».
Em boa verdade, a presidente da autarquia tem prestado declarações ao «barlavento», por exemplo, acerca da hipótese de congelamento de salários aos funcionários municipais (edição de 26 de maio), bem como sobre o destino da taxa municipal da proteção civil de Portimão (28 de abril). Também em fevereiro de 2015, foram divulgados os resultados da auditoria à gestão municipal, entre 2009-2013, mandada realizar por Isilda Gomes. O documento, possível de ser descarregado online no site da Câmara Municipal, tinha como objetivo informar todos os cidadãos e aqueles que tivessem interesse em conhecer a gestão do anterior mandato.
O relatório foi depois enviado para a Procuradoria Geral da República, para o Tribunal de Contas e para a Secretaria de Estado da Administração local.