O checo Rudolf Krautschneider é um espírito jovem, apesar dos seus 72 anos de idade. Segundo disse ao «barlavento», há 50 anos que é lenhador de profissão, tendo trabalhado por todo o mundo, do seu país natal à Austrália, passando pelo Canadá e pelo Brasil.
Paralelamente, tem construído veleiros e navegado neles por todo o mundo, incluindo o antártico, embora a sua especialidade seja o ártico. Escreve livros nos intervalos, possuindo 15 obras publicadas. Não gosta que lhe chamem senhor; prefere ser tratado por marinheiro.
Fomos encontrá-lo nos estaleiros do Parchal, com uma equipa de 8 homens, montando uma jangada para atravessar o Atlântico. São 15 grandes troncos com cerca de 12 metros de comprimento, num total de 6 metros e meio de largura, muito bem seguros entre si. Seis patilhões do mesmo material contribuirão para a estabilidade de uma estrutura que nos parece difícil de manobrar.
Numa plataforma mais elevada, encontra-se uma casa que servirá de abrigo, dormitório e arrumação. Dois mastros e quatro velas com a área total de cem metros quadrados completam a jangada, que pesa cerca de vinte toneladas.
O seu plano, que estudou durante três anos, é atingir a costa americana dentro de cinco meses, mas não sabe em que ponto. «Essa pergunta é para o Neptuno», diz-nos com ar sério. Levam um rádio, que será o seu único contacto com o mundo. O seu projeto, com a jangada «Eurica», serve para «tentar demonstrar a teoria da conexão de uma antiga civilização euro-africana com a América». E para promover a amizade entre os povos.
Em Portimão, está a conseguir esse objetivo, fazendo amizades com toda a gente que se aproxima dele. Irradia alegria e confiança ao seu redor, como é apanágio dos aventureiros sonhadores.
São seus companheiros de aventura os compatriotas Jiri Fejfar e Zdenek Vaistauer. Se conseguirem o seu objetivo, no próximo ano farão a viagem de regresso.
Boa viagem, Rudolf, Jiri e Zdenek. Que Neptuno vos acompanhe e proteja!