A acampada, que se prolongará pela noite dentro, serão feitas as despedidas a Cavaco Silva, «agradecendo tudo o que fez pelo Algarve, particularmente o facto de nunca ter levantado um dedo contra a imposição das desastrosas portagens e cujas consequências negativas se encontram bem à vista de todos, e até, ter incentivado o governo na implementação dessas mesmas portagens», segundo explica a CUVI em nota de imprensa.
«Com a chegada de mais um verão ao Algarve intensificou-se o tráfego na caótica e muito perigosa EN 125. Muitos condutores para fugirem às portagens da A22 aventuram-se pela “rua urbana” EN125 que provoca mais de 20 acidentes por dia, um autêntico estado de guerra, não declarado, na região. É verdade que muitos acidentes se devem à falta de civismo dos condutores, no entanto as portagens na A22, a degradação, a falta de requalificação e as características específicas inadequadas da EN 125 contribuem dramaticamente para o aumento da sinistralidade no Algarve. Nas últimas 48 horas dois brutais acidentes tiraram a vida a 3 pessoas e provocaram diversos feridos graves», justifica a CUVI.
«Além do agravamento da crise social e económica na região, com muitos milhares de desempregados a mais e centenas de falências de empresas e outras em grandes dificuldades, as portagens estão a provocar o derramamento de sangue de muita gente inocente! Esta catástrofe tem de parar! Os responsáveis pela introdução das portagens governo PSD/CDS com o apoio do PS – têm de parar para pensar e tomar medidas para a sua abolição imediata!», defende este movimento.
«Tanto António Costa como Passos Coelho prometem, em vésperas de mais um ato eleitoral, baixar o custo das tarifas das portagens o que não irá resolver o fundamental a EN 125 continuará saturada de tráfego e a concessionária da PPP da Via do Infante irá exigir ao governo um pedido de reequilíbrio financeiro no valor de milhões. Ou seja, os contribuintes terão de continuar a pagar muitos milhões para encher os bolsos de uma PPP deveras ruinosa que contempla cláusulas confidenciais no seu contrato».
«Recentemente, o governo aprovou a alteração ao contrato da PPP da Via do Infante, dizendo que permitiu ao Estado uma poupança de algumas dezenas de milhões de euros. Com esta renegociação o governo não mexeu no essencial, apenas diminuiu os custos de manutenção da via. E o essencial é a continuação das rendas chorudas e abusivas que os privados da concessionária auferem, com taxas muito superiores às taxas de juro da dívida pública portuguesa! Um verdadeiro negócio da China e que representa muitas centenas de milhões de euros. Pelos vistos o governo não teve coragem de tocar nas cláusulas secretas do contrato», conclui o movimento.