O Canto Nono, coletivo de oito vozes a capella, vai subir ao palco do Cineteatro para revisitar a obra de José Mário Branco.
O espetáculo temático «A força (o poder) da palavra – Um canto a José Mário Branco», concebido pelo coletivo de oito vozes Canto Nono, apresenta-se já este sábado, dia 13 de maio, no Cineteatro Louletano.
Do single digital publicado no dia 13 de abril, sobem a palco duas das canções, sendo elas «Ronda do Soldadinho» e «Do que um homem é capaz», dois temas representativos da obra de José Mário Branco.
A primeira foi publicada em 1969 e a segunda integra o seu último trabalho de originais, o álbum «Resistir é vencer».
«A força (o poder) da palavra» contou com arranjos do próprio José Mário Branco na «Ronda do Soldadinho», e de Diana Gonçalves, membro do grupo, em «Do que um homem é capaz», sendo que no espetáculo encontra-se ainda a colaboração, a esse nível, de Amélia Muge, António José Martins, Filipe Raposo, José Manuel David ou Tomás Pimentel, colaboradores próximos do autor de «Eu vim de longe».
Para o Canto Nono, a urgência neste «A força (o poder) da palavra – Um canto a José Mário Branco» justifica-se já que, «além da cumplicidade construída ao longo de duas décadas, José Mário Branco foi uma personalidade marcante da nossa música e da nossa cultura, como compositor, arranjador, cantautor e produtor musical», de acordo com o coletivo.
«Trata-se de uma história feita de canções, de lutas, de valores. Um homem que, dizendo-se pouco social, era socialmente interveniente, sendo que o seu impacto artístico fez-se sentir no domínio discográfico e em atuações ao vivo, de carácter musical ou teatral», acrescentam.
Tal como num poema, «somos uma pessoa quando entramos numa canção de José Mário Branco e outra totalmente diferente quando saímos dela, porque nas suas canções não há neutralidade, elas são o fruto de um trabalhar constante das roldanas do pensamento, soldadinhos a brincar nos jardins dos deuses e o nome de uma tília da avenida dos jardins do Palácio de Cristal», no Porto
«A palavra era uma constante em toda a obra de José Mário Branco, a sua força e o seu poder sobressaem porque, além de uma simples unidade linguística, é dotada de um profundo sentido e de verdade. Palavras cantadas são o santo e a senha do Canto Nono e é também com verdade que tentam transmiti-las, torná-las cristalinas no verbo e na intenção, consumíveis mas não descartáveis para que, entrelaçadas, adquiram a dureza indispensável ao confronto do quotidiano.
Neste espetáculo, o Canto Nono, José Mário Branco e a «Travessia do Deserto» vão andar pela «Arcádia» dando um «Recado ao Porto», perscrutando «A Noite».
Ao mesmo tempo, vão dar notícias da «Etelvina» e do seu «Soldadinho», e também de uma amiga cansada de «Remendos e Côdeas», porque essas são «As Contas de Deus».
Também vão dizer «Do que Um Homem É Capaz» para que se entenda que é a cantar que se «Mudam os Tempos e as Vontades».
Os ingressos para a «A força (o poder) da palavra» podem ser adquiridos nos locais do concerto ou na Ticketline.