Antes das 6 Horas de Portimão, faça uma viagem pelas equipas inscritas na classe Hypercar: Cadillac, Glickenhaus, Floyd Vanwall, Toyota e Peugeot.
Sete construtores estão presentes na classe Hypercar, no Mundial de Resistência 2023, a disputar no Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão, de 14 a 16 de abril.
Desde nomes sonantes da indústria automóvel em grande série, como Toyota e Peugeot, referências em termos de performance, de que Ferrari e Porsche são exemplos maiores, ou marcas de luxo, como a Cadillac. A estas, juntam-se duas com nomes famosos… por razões bem diferentes.
Cadillac
A equipa de Chip Ganassi dispensa apresentações com os 14 títulos no CART/Indy Car desde 1996, os cinco triunfos nas 500 milhas de Indianápolis, o 2.º lugar no Mundial de GT com a Ford em 2017, acompanhado de uma vitória na classe em Le Mans 2016, para não falar nas vitórias nas 24 Horas de Daytona 2011 (IMSA) ou nas 500 Milhas de Daytona 2010 (NASCAR).
Mais que razões para a Cadillac escolher o team americano para o regresso a Le Mans e a estreia no WEC com V-Series.R. O protótipo foi desenvolvido pela Dallara para a classe LMDh, com uma carroçaria desenhada por Chris Mikalauskas, com muita identificação à marca de luxo da GM. O motor é um V8 5,5 litros atmosférico derivado do Corvette. Em Le Mans, o contingente subirá de um para três inscritos, juntando-se os dois carros que correm no IMSA.
Vencedor em Le Mans 2015 e 2017, o neozelandês Earl Bamber deixou a Porsche no final de 2020, depois de ter sido campeão do mundo no WEC, em 2017, e campeão GT IMSA, em 2019. Na Cadillac venceu as 12 Horas de Sebring em 2022 e regressa ao WEC.
O britânico Alex Lynn fez carreira nas fórmulas de promoção, onde foi campeão GP3 em 2014. De seguida passou cinco anos na Fórmula E. Na resistência, venceu as 12 Horas de Sebring em 2017 e 2022, já com a Cadillac, bem como os GT, em Le Mans 2020, com a Aston Martin.
Richard Westbrook, com 47 anos, andou uma década nas fórmulas de promoção entre 1986 e 1996. Depois de uma pausa de cinco anos, o britânico voltou às competições nas Porsche Cup, sendo campeão da SuperCup em 2006 e 2007. Desde então, tornou-se um piloto de referência nos GT, até ter nova oportunidade nos protótipos com a Cadillac em 2022, depois de ter guiado os Coyote Corvette DP do IMSA, em 2015 e 2016. No ano passado, foi 3.º à geral tanto nas 24 horas de Daytona, como nas 24 horas de Mans.
Glickenhaus
A história da marca Glickenhaus dava um filme, ou não fosse o fundador, James Glickenhaus, um conhecido realizador e produtor da 7.ª Arte, onde se destaca o «Exterminador Implacável». No WEC o carro da equipa americana Scuderia Cameron Glickenhaus desempenha mais o papel de “Golias” face aos “Sansão” dos grandes construtores.
O SCG 007 está inscrito como LMH, na categoria Hypercar, tendo sido projetado por Mark Tatham e desenvolvido pela PAT (Podium Advance Technologies). O motor é um V8 3,5 litros duplo turbo, fabricado pelos franceses da PIPO Moteurs, com base no propulsor 4 cilindros em linha feito pela empresa para o Mundial de Ralis. Os 3.º e 4.º lugares na última edição das 24 Horas de Le Mans foram o melhor resultado no WEC 2022.
Romain Dumas já venceu o Mundial de Resistência, competiu em todas as edições das 24 Horas de Le Mans desde 2002, tendo ganho em 2010 (Audi) e 2016 (Porsche). O francês é um piloto multifacetado, tendo ganho o campeonato American Le Mans Series em 2007 e é dele o recorde da famosa rampa americana, Pikes Peak.
O francês Olivier Pla também tem muitos anos de protótipos, onde se estreou em 2008 com o Lola da equipa portuguesa Quifel ASM, em parceria com Miguel Paes do Amaral.
Ryan Briscoe dispensa apresentações. O neozelandês chegou a ser piloto de testes da Toyota na F1 e correu 11 temporadas nos IndyCar (2005/2015). Mais recentemente fez parte dos projetos da Ganassi Racing com a Ford nos GT. Venceu também as 24 Horas de Daytona, em 2020, com um Cadillac da WTR.
Floyd Vanwall
A Floyd Vanwall Racing Team é mais um projeto de Colin Kolles para o WEC, depois de ter estado na F1 com a Midland (onde correu Tiago Monteiro), Midland e Hispania.
O romeno repescou o nome Vanwall, marca britânica que foi a primeira campeã do mundo de construtores da F1, em 1958. Juntou-se à empresa americana de malas, Flyod (inventora das malas com 4 rodas de skate) para criar uma equipa que se estreou este ano.
Nascia o Vanwall Vandervell 680 da classe LMH, desenhado por Julian Thiele e Eric Zenner, equipado com o V8 Gibson de 4,5 litros atmosférico, usado pelo Alpine LMP1 nos dois últimos anos.
Jacques Villeneuve é a estrela da companhia, num regresso ao mais alto nível para o canadiano. Nos últimos anos, o campeão do mundo de F1 em 1997 tinha feito provas no NASCAR Europa.
O argentino Esteban Guerrieri vem do WTCR, onde foi piloto oficial da Honda desde 2018 até ao ano passado.
Tom Dillman venceu a Fórmula V8 3.5, em 2016. O francês seguiu depois para a Fórmula E e a SuperFormula japonesa. Ao mesmo tempo, fazia a reconversão para as provas de resistência com GT e Protótipos. No ano passado, venceu a Le Mans Cup com a equipa Racing Spirit of Léman.
Toyota
A Toyota começou a temporada com uma vitória nas 1000 Milhas de Sebring. A marca nipónica tem dominado o WEC desde 2018, com títulos mundiais de Construtores e Pilotos consecutivos, para além de vitórias nas últimas cinco edições das 24 Horas de Le Mans, as duas últimas com o Hypercar GR010 Hybrid.
O carro desenhado por Hisatake Murata (motor) e John Litjens (chassis) mantém para 2023 o V6 3,5 litros, duplo turbo, com tração às 4 rodas. Evoluções existem nos perfis da asa posterior e nas derivas na frente, bem como na gestão eletrónica, que deu algumas dores de cabeça nas primeiras versões, para além de novidades no sistema de travagem.
As equipas de pilotos mantiveram-se inalteradas e todos são campeões do mundo. No GR010 #7, que lidera o campeonato depois do triunfo em Sebring, José Maria Lopez é um titulados com o cetro no WEC (2020 e 2021), tendo vencido as 24 Horas de Le Mans em 2021. Antes, o argentino tinha ganho a F. Renault Itália (2002) e a F. Renault V6 Eurocup (2003), chegando a estar próximo da F1 com o projeto USF1 Team, que não passou do papel. De regresso ao país natal, foi campeão TC2000, Super TC2000 e Top Race V6, antes de voltar à Europa para correr no WTCC como piloto oficial da Citroen, conquistando três títulos mundiais (2014 a 2016). Passou para o WEC com a Toyota no ano seguinte.
Kamui Kobayashi acompanhou Lopez nos dois títulos e na vitória em Le Mans, tendo feito antes 75 GP de F1 entre 2009 e 2012, com Toyota, Sauber e Caterham, subindo uma vez ao pódio. O japonês é piloto da Toyota no WEC desde 2016.
Mike Conway completa o trio do #7. Está ligado à marca nipónica desde 2014, tendo vencido Le Mans em 2021 e terminado mais cinco vezes no pódio da maior clássica da resistência. Antes, o britânico foi uma esperança nos monolugares, tendo ganho o título britânico de F.3 em 2006 e o G.P. de Macau nesse mesmo ano. Ainda venceu uma corrida nos GP2, antes de atravessar o Atlântico para os IndyCar americanos, onde garantiu quatro triunfos, entre 2009 e 2014.
O Toyota #8 é guiado pelos atuais campeões em título. Sebastien Buemi entra no 12º ano com a Toyota/WEC, tendo ganho quatro edições das 24 Horas de Le Mans e sido campeão mundial por três vezes. Fez 55 GP de F1 com a Toro Rosso (2009 e 2011). Tem um título de Fórmula E (2016), campeonato onde continua a competir com a Envision Racing.
Brendon Hartley venceu a F. Renault 2.0 Eurocup em 2007 e até chegou à F1 (2017/2018, com a Toro Rosso). Mas foi no WEC onde mais deu nas vistas. Campeão do Mundo em 2015 e 2017 com a Porsche, que o ajudou também a triunfar nas 24 Horas de Le Mans 2017. Contratado pela Toyota em 2019, ganhou mais duas vezes Le Mans e conquistou outro título mundial em 2022.
Ryo Hirakawa é um produto das fileiras Toyota. Campeão japonês de F3 em 2012 e de SuperGT em 2017, continua a competir no país natal, na SuperFórmula. Entrou com o pé direito na equipa Toyota WEC, em 2022 – ceptro mundial e vitória em Le Mans.
Peugeot
O regresso da Peugeot às provas de Endurance após uma década de pausa desde os 908, faz-se com o projeto 9×8, carro com um conceito diferente, criado pela equipa liderada por Vadim Glica. Como o regulamento só permite um elemento aerodinâmico móvel, a Peugeot abdicou da asa posterior, sendo o difusor a assegurar a maior parte do apoio na saída dos túneis Venturi (asa invertida) debaixo do carro. O motor é um V6 duplo turbo de 2,6 litros, com um sistema híbrido (Peugeot Hybrid4) que passa a potência às rodas dianteiras. Estreados na prova de Monza, em 2022, os resultados do dois 9×8 têm sido parcos, ainda sem qualquer pódio.
No #93 vamos encontrar Jean-Éric Vergne, que depois de vencer o título britânico de Fórmula 3 e ser segundo na F. Renault 3.5, chegou à Fórmula 1 em 2012, com a Toro Rosso, onde ficou até 2014, conseguindo pontuar 14 vezes. O francês rumou à Fórmula E, onde se mantém como piloto da DS Penske, tendo sido campeão em 2018 e 2019. Ao mesmo tempo, conseguiu bons resultados no ELMS e no WEC, na categoria LMP2.
Paul di Resta fez 59 GP de F1, depois de ter sido campeão DTM em 2010. Nos últimos anos, o britânico realizou várias corridas de resistência com os LMP2 da United Autosport, até em parceria com Filipe Albuquerque.
Menos conhecido, Mikkel Jensen venceu a Fórmula Masters germânica em 2014, mas acabou por não vingar na F3. Em 2016, o dinamarquês converteu-se ao ELMS, primeiro com os GT e depois com os LMP3, sendo campeão desta última classe, em 2019, e dos IMSA-LMP2, em 2021.
No Peugeot #94, Loic Duval tem o melhor palmarés. O francês foi Campeão do Mundo no WEC em 2013 com a Audi, ano em que venceu as 24 Horas de Le Mans. Isso, depois de uma carreira nos monolugares onde garantiu títulos na F. Campus França (2002), F. Renault 2000 França (2003) e F. Nippon (2009). Ganhou, também, os SuperGT nipónicos em 2010.
O americano Gustavo Menezes tem como principal resultado o título LMP2 com a Alpine, no WEC 2016, a que soma três pódios à geral nas 24 Horas de Le Mans, com a Rebellion.
Nico Muller deu nas vistas em 2009 ao triunfar na F. Renault 2000 da Suíça natal. Deixou os monolugares em 2014, vencendo nesse ano as 24 Horas de Nurburgring com um Audi.. Sempre com a marca alemã, passou pelo DTM (2.º em 2019 e 2020) e as provas de GT, antes de aceitar o desafio da Peugeot/WEC.