É desesperante para quem aguarda sem resposta, é acima de tudo uma falta de respeito pelos trabalhadores e cidadãos em geral.
No caso dos trabalhadores, pelo medo de que a resposta venha negativa acabam por se ir submetendo e tentando que a resposta lhes seja dada com a maior brevidade, mas, sempre, sem fazer grandes ondas para que a resposta, só por vingança, seja contrária às suas pretensões, muitas vezes, contra mesmo o interesse da causa pública.
No estado existem trabalhadores que estão a desempenhar funções de categorias com melhor remuneração, mas continuam a ganhar por vencimentos inferiores, tendo estes feito pedido de Mobilidade Intercarreiras. A maioria ainda está a aguardar uma resposta, no fundo de alguma gaveta e com a indicação verbal de que não há dinheiro para lhes pagar e aguardarem algum tempo, mas, na semana seguinte, o organismo faz uma aquisição várias vezes superior ao que iriam gastar com a diferença de vencimento de todos os trabalhadores.
São inúmeros os casos em que se leva à espera de resposta mais de um ano, podendo o trabalhador perder a oportunidade de sair da administração pública ou sair para outro organismo da administração pública, que, nalguns casos, é benéfico para todos, visto que uns até têm trabalhadores a mais e outros em falta e, existindo possibilidade de voluntariamente se fazer estas transferências, ficariam todos satisfeitos. Não se aproveita quando existe vontade dos trabalhadores em mudar e depois obrigam-se mais tarde outros.
No caso da Segurança Social, muitos dos trabalhadores que agora foram colocados na requalificação, nome pomposo para os mandar passear, exerciam funções essenciais que agora ficaram sem ninguém ou foram substituídos pelos chamados POC, desempregados, ficando todos numa situação precária, os que sabiam fazer o trabalho e foram para casa sem saber o dia de amanhã.
Os que entretanto entraram e vão desempenhar funções que podem não estar preparados, ao fim de um ano mandam-nos também embora e venham outros. Muitos dos trabalhadores da segurança social agora na requalificação tiveram na lei, em tempos que já lá vão, a possibilidade de ver reconhecido o seu trabalho e serem colocados nas categorias corretas, adequadas às funções que realmente desempenhavam, ganhando mais. Até aí o Estado, abusou.
Para terminar com a cereja no topo do bolo, agora foram colocadas novas chefias, já não existindo qualquer problema financeiro na instituição que justifique a saída de funcionários de funções essenciais para a entrada de chefes.
Este é o nosso Portugal, que aos trabalhadores e cidadãos, em geral, ignora a resposta, direito que têm por lei, mas que só penaliza os pequenos.
Se o Estado ficar um ano sem dar resposta, quem paga o erro do Estado é sempre o mesmo. Em primeiro lugar, a pessoa que ficou a aguardar a resposta, acrescido dos custos que ainda teve em andar de um lado para o outro a ver se esta sairia da gaveta, como, em último caso, são novamente os cidadãos que pagam o prejuízo, pois são os impostos de todos que pagam estas falhas.
Os responsáveis por tudo isto vão passando sempre bem, pois, não sofrem qualquer penalização, apesar de também a lei o prever, mas, mesmo que se recorra a alguma instituição para que seja feita justiça, é provável que seja mais um documento a ficar em alguma gaveta e lá começa tudo de novo.
*SINTAP