Parte de uma arriba desabou na praia Maria Luísa, no concelho de Albufeira, no domingo, 7 de agosto, por volta das 12h50. À hora, não estava ninguém na zona, pelo que o desabamento não provou vítimas.
No entanto, as sombrinhas e toalhas no areal levantaram suspeitas às autoridades. Com recurso a uma retroescavadora, a remoção dos inertes arrastados pelo desabamento, prolongou-se noite dentro. Não foram poupados esforços até haver certezas que ninguém ficou subterrado debaixo dos escombros.
Após uma interrupção devido à maré cheia, os trabalhos foram retomados às 21 horas, com três máquinas de grande porte da Câmara Municipal de Albufeira envolvidas nas buscas por eventuais vítimas. Ao local deslocaram-se dezenas de profissionais dos Bombeiros Voluntários de Albufeira, da Autoridade Nacional da Proteção Civil e da Guarda Nacional Republicana.
Também o presidente da Região de Turismo do Algarve, Desidério Silva e o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Carlos Silva e Sousa estiveram no local. A forte ondulação e a subida da maré dificultaram as operações que só terminaram na manhã do dia seguinte.
Elementos das equipas da Agência Portuguesa do Ambiente, da Proteção Civil e da Policia Marítima percorreram ainda as imediações da falésia a fim de identificar outras fissuras que pudessem indicar quaisquer sinais de novas derrocadas.
Desmoronamento mortal em 2009 tirou a vida a cinco pessoas
A 21 de agosto de 2009, neste mesmo local, ocorreu um desmoronamento fatal que resultou na morte de cinco pessoas. Foi considerado o mais grave acidente com arribas no país desde que há registos oficiais.
Segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entre julho de 2015 e junho de 2016, registaram-se 21 desmoronamentos de arribas no Algarve.
Número acima da média anual dos últimos dez anos, que costuma ser de 12 ocorrências. A considerada «área de segurança» deve ser calculada consoante a altura da arriba, e deverá ser de 1,5 vezes (uma vez e meia) o total da altura.
Sinalização abundante, mas ineficaz
Apesar da sinalização colocada logo à entrada do areal identificar as zonas de perigo, os veraneantes continuam a ignorar os alertas.
Muitos procuram zonas de sombra junto das arribas instáveis, colocando-se em risco e sem que as autoridades possam impedir. Este episódio, no entanto, reforça os alertas das autoridades que pedem bom senso aos banhistas.