A história mostra duas formas de neutralizar a extrema‑direita: um conflito violento ou melhoria das condições económicas e sociais. A segunda é imperativa e exige escolhas difíceis, mas corretas.
Mais do que a vitória já previsível do Chega, o verdadeiro acontecimento da noite eleitoral é a derrota do Partido Socialista (PS).
O PS cristalizou‑se num partido conservador no pior sentido: complacente com um país que não reforma e dependente de um status quo estagnado.
O Estado Social só se sustenta com uma economia dinâmica que o permita; há muito que essa premissa foi secundarizada dentro do partido em nome de um objetivo único—conservar o poder.
A formação da «geringonça», em 2015, colocou o PS no mesmo patamar de forças radicais sem programa exequível para o país. Tratou‑se de poder pelo poder. Ninguém pode acusar António Costa de criar o Chega, o fenómeno é global—mas fortaleceu‑o ao colocar os interesses partidários acima dos nacionais, abrindo espaço ao ressentimento social que a extrema‑direita capitaliza.
Pedro Nuno Santos (PNS) é apenas um sintoma desse PS indisposto a assumir responsabilidades. Foi um protagonista na negociação com os parceiros radicais e governou mal todos os dossiês que lhe confiaram: TAP, CP, novo Aeroporto de Lisboa, mas, ainda assim, ascendeu a secretário‑geral.
O agora demissionário secretário geral do PS tem características tipicamente associadas aos extremos: impulsividade, autoritarismo, populismo, inflexibilidade e arrogância. Se quer evitar mais estragos, o mínimo que lhe resta fazer é viabilizar um governo da AD com poucas ou nenhumas condições.
Não gosto de infantilizar o eleitor, nunca o fiz. Os portugueses estão zangados com falhanços sucessivos e votam conforme as prioridades do seu dia a dia: pôr comida na mesa, pagar a casa, garantir emprego digno, estudar e ter cuidados de saúde.
O eleitor não vota com medo do fascismo. O «perigo fascista» não se combate com apelos morais abstratas, mas com soluções concretas para esses problemas.
A história mostra duas formas de neutralizar a extrema‑direita: um conflito violento ou melhoria das condições económicas e sociais. A segunda é imperativa e exige escolhas difíceis, mas corretas.
A esquerda abandonou a classe trabalhadora; não surpreende que a classe trabalhadora tenha retribuído na urna.
Por fim, deixo os resultados no distrito de Faro, que falam por si.