A crítica é assertiva: «sem qualquer pudor, o PS prepara-se para retomar a política dos jobs for the boys que durante décadas canibalizou a administração pública, dando uma machadada no caminho de despartidarização que vinha a ser seguido nos últimos anos».
PSD Algarve reage assim ao «afastamento apressado e sem causa do Delegado Regional do IEFP do Algarve (Instituto de Emprego e Formação Profissional)», Carlos Baía, que é «o primeiro exemplo dessa antiga política deste tempo novo».
«Sem sequer apresentar uma justificação técnica ou mesmo política plausível, os delegados regionais de todo o País foram chamados a Lisboa no dia 30 de Dezembro onde lhes foi informado que seriam dispensados no dia seguinte», diz o PSD/Algarve em nota de imprensa emitida ao final da tarde de hoje, 7 de janeiro.
«Importa relembrar que foi o anterior governo, liderado por Pedro Passos Coelho que institui-o pela primeira vez na nossa história um sistema de concurso público independente para a designação obrigatória dos quadros altos e médios da administração pública. Esta nova entidade, a CRESAP, foi uma pedrada no charco, sendo o ponto de partida para retirar a carga partidária da administração pública», acrescentam.
«Naturalmente que este seria um caminho longo e complexo mas que a pouco começava a ter resultados bastante satisfatórios. O cargo do Delegado Regional do IEFP foi igualmente preenchido através de um concurso público aberto a todos os que preenchiam os requisitos necessários ao desempenho do mesmo».
Contudo, o Partido Socialista, «sabe-se, sempre lidou mal com esta perspectiva de não poder nomear para os lugares chave da administração pública os seus mais fieis militantes, independentemente da adequação dos mesmos para os cargos e sem dar hipótese a que qualquer pessoa com as condições mínimas, independentemente da sua condição partidária, possa tentar aceder a tais cargos».
Falta de respeito ético pela administração pública
Os sociais-democratas algarvios vão ainda mais longe e consideram que «a sede de poder que existe no PS e nos partidos à sua esquerda que suportam o governo, nomeadamente Bloco de Esquerda e PCP, vai nos fazer assistir nos próximos meses a um rol de nomeação de boys sem qualquer respeito ético pela administração pública e pelos seus trabalhadores».
Assim, o PSD/Algarve «quer desta forma reconhecer o trabalho desenvolvido por Carlos Baía, ex-delegado do IEFP Algarve, que em conjunto com uma dedicada estrutura de dirigentes e trabalhadores, teve um papel fulcral na manutenção da estrutura social da região durante anos particularmente difíceis, posicionando-se como elemento fundamental na criação e dinamização de políticas activas de emprego».
Aliás, «foi sob a liderança de Carlos Baía à frente do IEFP no Algarve que o desemprego que havia atingido os 20,5 por cento começou a realizar uma trajectória sustentada de descida desde o 1º trimestre de 2013 chegando a valores de 10,2 por cento na atualidade».
O Algarve passou de região com a mais alta taxa de desemprego do país para uma das regiões com a taxa mais baixa, situando-se abaixo da média da zona euro. «Para o Partido Socialista e para os partidos que suportam o atual governo, este é um resultado negativo. É caso para dizer: tempo novo, politicas velhas».
IEFP paralisado
Segundo um documento enviado pela Comissão de Trabalhadores do IEFP a que o «barlavento» teve acesso, no dia 30 de dezembro de 2015 foram demitidos (ou «decapitados» segundo esta fonte) dois vogais do Conselho Diretivo, todos os delegados e subdelegados regionais e dois diretores de departamento. Só ficou o presidente (Jorge Gaspar) para garantir que o poder não caia na rua. Até à data de ontem, dia 6 de fevereiro, «ainda não foi ninguém investido nos lugares, o que faz com que todo o IEFP esteja paralisado».
«Ninguém, a nível das delegações regionais e dos vários centros de emprego e formação pode aprovar candidaturas, compras, nem fazer pagamentos! Ou seja, não se pode comprar um parafuso, aprovar um estágio ou contratar um formador». O seja, todo o IEFP de norte a sul está parado.
A Comissão de Trabalhadores espera que «a situação se esclareça e normalize rapidamente e desejamos que esta ação abrupta indicie vontade de efetivas melhorias».