Produção de vinho atinge mínimo da última década em 2025, apesar da qualidade, enquanto o preço do azeite deverá descer cerca de 5%, segundo o INE.
A produção de vinho deverá ter caído 20% em 2025, atingindo o valor mais baixo da última década, apesar da boa qualidade, enquanto o preço do azeite deverá recuar cerca de 5%, segundo uma primeira estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com as Contas Económicas da Agricultura – 2025, a produção de vinho, uma das principais produções agrícolas nacionais a par do azeite, é este ano «a mais baixa da última década». Ainda assim, o INE espera a obtenção de vinhos «de qualidade, com níveis de açúcar equilibrados e boa concentração aromática».
Na origem da quebra da produção vitícola estiveram «as chuvas intensas e as temperaturas amenas na primavera, que favoreceram o desenvolvimento do míldio, reduzindo o número e o peso das uvas», bem como «o calor extremo no verão, que causou queimaduras e desidratação dos frutos».
No caso do azeite, o INE estima que a produção, no ano civil de 2024 — que abrange parte das campanhas 2024/2025 e 2025/2026 — diminua 9,7% em volume, refletindo uma quebra de cerca de 20% na produção de azeitona na campanha em curso. Apesar disso, são esperadas azeitonas e azeite «de boa qualidade».
Com a recuperação da oferta mundial, o instituto antecipa uma descida de cerca de 5% no preço do azeite.
No conjunto da produção agrícola, as estimativas apontam para um aumento de 2,2% na produção de frutos, impulsionado pela maior produção de cereja (+5,0%), kiwi (+10,0%) e morango e frutos de pequena baga (+17,2%).
Em termos de preços, o INE prevê um aumento global para o conjunto dos frutos (+3,1%) e para a maioria das espécies, com exceção da maçã, pera e azeitona.
Já a produção de cereais deverá diminuir 9,1% em volume, devido a condições meteorológicas adversas, com destaque para o «acentuado decréscimo» do trigo (-25,5%), da cevada (-21,6%) e da aveia (-29,3%). As produções de milho e arroz deverão registar ambas uma redução de 5,0%.