Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim prepara-se para deixar o cargo e ocupar uma posição na ALGAR. Osvaldo Gonçalves confirma decisão que é muito criticada pela oposição.
Segundo Carlos Ludovico, presidente do Partido Social Democrata (PSD) de Alcoutim, foi aprovada na sexta-feira, em reunião da AMAL, o nome do presidente da Câmara Municipal de Alcoutim para o Conselho de Administração da ALGAR. Isso implica que o socialista Osvaldo Gonçalves abandone nos próximos meses a autarquia.
«Este é um cargo que custa aos bolsos de todos nós muitos milhares de euros por mês, em vencimento, viatura e outras regalias e deveria ser ocupado por pessoas com habilitações para o efeito, tal como qualquer gestor público. Manifestamente não é o caso», critica, em nota enviada às redações.
Ouvido pelo barlavento, Osvaldo Gonçalves confirmou a notícia avançada pela oposição e que em breve vai deixar o cargo, depois de uma «ponderação longa e difícil».
No entanto, «foi-me proposto um cargo de grande responsabilidade, do qual os alcoutejanos também se podem orgulhar de eu poder representar os municípios. Resolvi aceitar esse novo desafio», explicou.
«Ao longo dos meus mandatos sempre trabalhei em equipa. Deixo em minha substituição o vice-presidente Paulo Jorge Paulino que me sempre acompanhou, nomeadamente no processo da ponte internacional para Sanlúcar de Guadiana, e portanto, não estou a abandonar ninguém», sublinhou.
Carlos Ludovico discorda e aponta outros argumentos para a saída do autarca: «o projeto da ponte está na eminência de ruir, a falta de médicos no concelho é evidente, e agora, sob a mira do Ministério Público, o presidente vai-se embora. Mas as pessoas têm de saber a verdade: Osvaldo Gonçalves sai para entrar o número 2 da Câmara Municipal. Tudo estava premeditado desde o primeiro dia. Como não podia fazer mais nenhum mandato, por que a lei impede, Osvaldo Gonçalves sai para que esse número dois seja presidente da Câmara sem ser eleito, para depois ser o candidato do PS. É mais uma artimanha que as pessoas não toleram e nós também não».
Segundo o líder do PSD Alcoutim e vereador não permanente, «esta saída pode ter sido precipitada pela investigação que está a ocorrer à gestão da autarquia, onde há fortes suspeitas de algumas irregularidades ou até mesmos crimes. Mas esta saída sempre esteve preparada. É uma falta de respeito. Sou vereador, não sou presidente, mas não trocaria Alcoutim por nada».
«O PS tinha um compromisso com Alcoutim, com um Presidente eleito que devia cumprir o mandato até ao fim, com empenho e responsabilidade. Esse compromisso foi rasgado, trocado por um salário melhor e pela fuga, quando Alcoutim mais precisava», conclui.