Portimão precisa de conhecer quem chegou e transformar o crescimento populacional em integração, autonomia e capacidade económica.
Portimão terá registado um aumento populacional de 31% entre 2019 e 2025. É uma transformação profunda do concelho, ocorrida em poucos anos, e seria absurdo negar a pressão que este crescimento exerce sobre a habitação, as escolas, a saúde, os transportes e o espaço público.
Também seria absurdo fingir que tudo isto aconteceu sem aviso.
Durante demasiado tempo, quem chamava a atenção para o aumento rápido da imigração era acusado de exagerar ou de alimentar «sensações». Entretanto, a população crescia, os serviços degradavam-se e o planeamento continuava preso a uma realidade que já não existia.
Mas há um momento em que repetir o diagnóstico deixa de ser suficiente. As pessoas já cá estão.
Podemos continuar a discutir como chegaram, em que número deveriam ter chegado e quem falhou. Essas perguntas são legítimas, mas não resolvem o problema presente. Agora é preciso perceber como transformar este crescimento em capacidade económica, integração e autonomia.
Mais população não significa apenas mais pressão sobre os serviços públicos. Significa também mais pessoas em idade ativa, mais consumo, mais conhecimento, mais iniciativa e mais capacidade potencial para trabalhar, empreender e contribuir.
O problema é que continuamos muitas vezes sem saber quem chegou, que qualificações possui, que experiência traz ou que obstáculos enfrenta para poder trabalhar.
Há profissionais qualificados impedidos de exercer por processos morosos de reconhecimento de habilitações. Há pessoas com capacidade para criar empresas confrontadas com burocracia, licenças e atrasos. Há trabalhadores remetidos para atividades pouco qualificadas, não por falta de competências, mas porque o sistema não lhes permite utilizá-las.
Receber pessoas para depois as condenar à burocracia, ao subemprego e aos apoios não é integração. É desperdício humano.
Assim, conseguimos o pior dos dois mundos: aumenta a pressão sobre os serviços, mas desperdiçamos parte da capacidade de quem poderia ajudar a reforçar a economia e, em alguns casos, os próprios serviços públicos.
Portimão precisa, por isso, de conhecer melhor a sua população real. Não basta saber quantas pessoas vivem no concelho. É preciso perceber as suas idades, qualificações, necessidades e capacidade de integração económica.
Mas conhecer não chega. É preciso agir. Ensinar português. Acelerar o reconhecimento de qualificações. Facilitar o acesso ao trabalho. Reduzir obstáculos à criação de empresas. Aproximar quem procura emprego das empresas que precisam de contratar. Melhorar transportes e criar condições para que trabalhar em Portimão não seja incompatível com conseguir viver no concelho.
Também é necessário repensar a forma como encaramos os apoios sociais. Os apoios são indispensáveis quando existe uma necessidade real. Mas não podem tornar-se a principal resposta pública nem um modo permanente de integração. Quando os apoios municipais aumentam sucessivamente sem que diminua o número de pessoas que deles dependem, podemos estar apenas a administrar uma dependência crescente.
O objetivo deve ser ajudar quem precisa a deixar de precisar. Uma política liberal de imigração não é uma política de portas abertas sem controlo. Também não é uma política de hostilidade perante quem chegou.
É uma política com regras claras, controlo efetivo, responsabilização e integração através do trabalho, da autonomia e da participação na sociedade.
Portimão tem mais população. Isso cria dificuldades reais, que não devem ser desvalorizadas. Mas também não pode servir de desculpa para tudo o que não se fez, não se faz e não se pretende fazer.
As pessoas já cá estão. É tempo de as conhecer, de lhes exigir, de lhes permitir contribuir e de transformar um crescimento desordenado em mais capacidade, mais riqueza e uma cidade melhor.
Sofia de Landerset | Iniciativa Liberal (IL) Portimão
Foto: Bruno Filipe Pires